Inteligência artificial se torna aliada de hackers, que causam prejuízo de US 893 milhões em 2025
O uso crescente da Inteligência Artificial por hackers levanta preocupações sobre a segurança digital e a eficácia das ferramentas de detecção de fraudes.
Criminosos cibernéticos estão utilizando cada vez mais a Inteligência Artificial (IA) para aprimorar seus golpes, criar conteúdos falsos e até invadir sistemas. De acordo com dados do FBI, as vítimas nos Estados Unidos perderam mais de US 893 milhões em crimes relacionados ao uso de IA no ano passado.
O avanço dessa tecnologia também gerou preocupações dentro da indústria. No início deste mês, a OpenAI informou que um teste de inteligência artificial saiu do controle em um laboratório virtual, aparentemente afetando apenas a plataforma naquele momento.
A Anthropic, por sua vez, revelou que seus agentes de IA conseguiram acessar a internet durante testes e invadir sistemas de outras empresas.
Embora esses incidentes não tenham comprometido dados de clientes, eles reacenderam o debate sobre os riscos associados ao uso da IA e à segurança dos sistemas conectados à internet. Para o neurocientista e especialista em inteligênciaartificialÁlvaro Machado Dias, a tecnologia já se tornou uma ferramenta efetiva para criminosos. “No crime, a inteligência artificial já funciona de verdade.
E funciona, em grande medida, porque o erro custa muito pouco a quem a utiliza”, afirmou.
Desafios na detecção de fraudes
Apesar das ferramentas de detecção baseadas em inteligência artificial ajudarem a identificar conteúdos manipulados ou tentativas de fraude, especialistas alertam que esses sistemas também podem cometer erros. Assim, a verificação independente da informação continua sendo fundamental para evitar enganos.
Em golpes realizados por telefone, por exemplo, fatores como o número exibido na tela, a voz da pessoa e até mesmo a familiaridade com quem está falando não são suficientes para confirmar uma identidade.
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Álvaro Machado Dias explica que o problema reside na diferença entre o custo do erro para as vítimas e para os criminosos. “Um deepfake ruim ou um e – mail mal escrito não geram multa, processo nem dano reputacional para o golpista. Ele simplesmente tenta novamente com outra vítima.
Empresas legítimas gastam muito para minimizar falhas nos modelos; o fraudador pode transferir quase todo esse custo para quem está do outro lado”, destacou.
Recomendações para proteção
Diante da crescente sofisticação dos golpes digitais, especialmente aqueles que envolvem pedidos de dinheiro ou dados pessoais, é essencial que os cidadãos não tomem decisões baseadas apenas no contato recebido. “Em golpes por ligação, o princípio mais importante é deixar de tratar a própria chamada como ambiente de verificação.
Voz, número na tela e urgência hoje representam riscos reais”, orientou Álvaro.
Ele recomenda que sempre que houver um pedido sensível – seja dinheiro ou acesso a contas – a confirmação deve ocorrer fora daquele contato e ser iniciada pela própria pessoa. Com tecnologias como clonagem de voz e criação de imagens e vídeos falsos se tornando cada vez mais acessíveis aos criminosos, desconfiar da urgência e buscar confirmações independentes são medidas cruciais para reduzir os riscos.