Instituto Oceanográfico da USP revela presença de microplásticos e POPs em águas profundas do Brasil

A pesquisa do Instituto Oceanográfico da USP destaca a contaminação das águas profundas brasileiras por microplásticos e POPs

23/06/2026 11:11

3 min

POLUENTES ÁGUAS PROFUNDAS
POLUENTES ÁGUAS PROFUNDAS

Um estudo conduzido por cientistas do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) revelou a presença de microplásticos e poluentes orgânicos persistentes (POPs) nas águas profundas do Brasil, localizadas entre 400 e 1.500 metros abaixo da superfície.

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Os resultados da pesquisa foram divulgados no Marine Pollution Bulletin e se basearam em amostras coletadas na Bacia de Santos, a aproximadamente 140 quilômetros da costa brasileira.

Resultados da Pesquisa sobre Poluentes Marinhos

O levantamento identificou microplásticos, que são fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros, além de POPs, que incluem compostos químicos nocivos que persistem no meio ambiente. Gabriel Stefanelli-Silva, principal autor do estudo e doutorando no IO-USP, comentou que essa pesquisa é um avanço significativo para compreender a disseminação desses poluentes nas profundezas marítimas do Brasil.

Um dos principais desafios consiste em identificar a origem desses contaminantes, uma vez que tanto os microplásticos quanto os POPs podem ser transportados pela atmosfera.

No que diz respeito aos POPs analisados, duas categorias foram focadas: as bifenilas policloradas (PCBs), frequentemente utilizadas como isolantes elétricos, e os éteres difenílicos polibromados (PBDEs), conhecidos por suas propriedades como retardantes de chamas.

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A pesquisa detectou PCBs nos sedimentos, enquanto os PBDEs não foram encontrados nessa análise.

Espécies Impactadas e Metodologia de Coleta

Entre as espécies de peixes estudadas estavam o Parasudis truculenta (popularmente conhecido como olho-verde-de-focinho-longo), o Hoplostethus occidentalis (chamado de Atlantic roughy), o Coelorinchus marinii (denominado peixe-rato) e o Neoscopelus macrolepidotus (conhecido como peixe-lanterna-de-escamas-grandes).

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As amostras foram obtidas durante dois cruzeiros do navio oceanográfico Alpha Crucis, realizados em setembro e novembro de 2019.

A investigação também incluiu a análise de invertebrados, onde foi observado que o pepino-do-mar Daime validum apresentava a maior concentração de microplásticos em seu sistema digestivo. Segundo Stefanelli-Silva, mesmo os microplásticos descartados nas áreas costeiras podem eventualmente alcançar as profundezas do mar.

Animais filtradores ou detritívoros são especialmente vulneráveis à ingestão dessas partículas plásticas.

Os pesquisadores identificaram cinco tipos diferentes de fibras classificadas como microplásticos. Entre os polímeros encontrados estão a poliamida e a poliacrilonitrila, ambos amplamente utilizados na indústria têxtil, além da poliariletercetona e do poliestireno, plásticos usados em diversas aplicações.

O polissulfeto, uma borracha sintética também detectada, pode ter origem em atividades industriais offshore na Bacia de Santos.

A Importância do Monitoramento das Águas Profundas

Paulo Sumida, orientador da pesquisa e coordenador do Laboratório de Ecologia e Evolução de Mar Profundo (LAMP) do IO-USP, ressaltou a relevância do estudo das águas profundas para entender os impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente marinho.

Ele enfatizou que embora essas áreas sejam difíceis de acessar e exijam altos investimentos em pesquisa, seu monitoramento é crucial para avaliar a extensão da contaminação por microplásticos e outros poluentes.

Este estudo faz parte do projeto “Diversidade e evolução de peixes de oceano profundo (DEEP-OCEAN)”, apoiado pela FAPESP dentro do Programa Biota e coordenado por Marcelo Roberto Souto de Melo, professor do IO-USP. Os pesquisadores afirmaram que essa investigação representa um primeiro passo importante, com planos para aprofundar as análises em futuras pesquisas.

Anteriormente, Stefanelli-Silva e sua equipe já haviam documentado a presença histórica de microplásticos na Antártica entre 1984 e 2016.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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