Inadimplência no Brasil atinge recordes: especialista critica políticas de crédito do governo

O Brasil enfrenta um recorde de comprometimento da renda e atrasos em dívidas. Marcos Mendes analisa as falhas das políticas de crédito e suas consequências.

21/04/2026 18:41

3 min

Inadimplência no Brasil atinge recordes: especialista critica políticas de crédito do governo
(Imagem de reprodução da internet).

Comprometimento da Renda e Atrasos em Dívidas no Brasil

O comprometimento da renda e os atrasos na quitação de dívidas atingem níveis recordes no Brasil. Em entrevista ao CNN Money, Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, destacou que as políticas de crédito do governo têm contribuído para o aumento da inadimplência no país.

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Mendes afirmou que as medidas de renegociação de dívidas implementadas pelo governo possuem “potência apenas eleitoral”.

O especialista identificou quatro problemas principais nessas políticas: o custo fiscal elevado, o impacto negativo no crescimento econômico a médio e longo prazo, a ineficácia demonstrada por experiências anteriores e a pressão sobre a política monetária. “O governo, ao mesmo tempo em que afirma querer negociar a dívida das famílias, está constantemente incentivando o endividamento”, criticou Mendes.

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Ciclo Vicioso de Endividamento

O pesquisador ressaltou que o Brasil se encontra em um ciclo vicioso, fundamentado em três aspectos: um desequilíbrio fiscal crônico com muitas despesas obrigatórias, baixa produtividade e má alocação de recursos em políticas sociais. Mendes apontou que o país investe mais de R$ 400 bilhões em políticas sociais que poderiam ter um impacto muito maior na redução da pobreza se fossem melhor estruturadas.

Ele mencionou o Bolsa Família como um exemplo de programa que necessita de reformulação, pois estabeleceu um valor mínimo por família, o que resultou em divisões artificiais para aumentar o recebimento de benefícios. “Isso desvirtua o programa, levando a um aumento das famílias unipessoais no Bolsa Família”, explicou.

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Reformas Necessárias

Para romper esse ciclo, Mendes defendeu a implementação de um conjunto de reformas que incluam medidas para aumentar a produtividade e a reestruturação dos programas sociais. “Um choque de produtividade não ocorre de forma imediata, mas existem várias ações, como a abertura da economia e mudanças no mercado de crédito”, afirmou.

Papel do Governo no Endividamento

Ao ser questionado sobre o papel do governo na questão do endividamento das famílias, Mendes foi claro ao afirmar que a renegociação direta de dívidas pelo governo não deve ser uma política pública. “Isso gera um aprendizado negativo. A pessoa que renegocia pensa: eu me livrei de uma dívida, então estou tranquilo, vou me endividar novamente, pois quando a situação apertar, o governo intervirá novamente”, alertou.

Na perspectiva do pesquisador, o governo deveria concentrar esforços na regulação de empréstimos abusivos e na colaboração com os bancos para informar a população. “O mercado já está estruturado para negociar dívidas. O governo deve atuar onde pode fazer a diferença, estabelecendo regras de transparência e regulação adequada”, concluiu Mendes.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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