Honduras arquiva acusações contra Juan Orlando Hernández, ex-presidente perdoado por Trump

Promotores ainda podem recorrer, mas entidades anticorrupção alertam que a decisão amplia a desconfiança dos hondurenhos no Judiciário.

Juan Orlando Hernandez, ex-presidente de Honduras

Um tribunal de Honduras arquivou nesta terça – feira (1) as acusações de fraude e lavagem de dinheiro contra o ex – presidente Juan Orlando Hernández, nove meses depois de sua libertação da prisão nos Estados Unidos. Ele cumpria uma longa pena no país por acusações de tráfico de drogas.

O porta – voz do Judiciário, Carlos Silva, informou que o juiz entendeu que Hernández não respondia pelas decisões orçamentárias no período investigado. Também não teria sido possível comprovar que os recursos desviados foram usados na campanha presidencial de 2013.

Decisão provoca comemoração e críticas

Hernández acompanhou a decisão do lado de fora do tribunal, ao lado de apoiadores. “É claro que esperávamos esse resultado porque o caso não tinha fundamento”, afirmou o ex – presidente. “A decisão é clara. Hoje, este capítulo de perseguição política chegou ao fim.”

Ele também mencionou os bens apreendidos pelas autoridades hondurenhas e acusou os responsáveis pela investigação de tentar prejudicar sua família. “Aqueles que arquitetaram essa operação não queriam apenas me ver banido de Honduras para sempre, sem poder retornar, mas estavam determinados a deixar minha família na rua”, disse. “Foi puro vandalismo.”

A esposa de Hernández, Ana García, também esteve no local. Ela buscou a indicação de seu partido para disputar a Presidência em 2025. Enquanto os apoiadores celebravam o arquivamento, grupos anticorrupção disseram que a decisão pode reduzir ainda mais a confiança dos hondurenhos nos tribunais.

As organizações também chamaram atenção para a ausência de uma testemunha – chave da acusação. A libertação dessa pessoa da prisão havia sido confirmada apenas algumas horas antes da decisão. Carlos Silva afirmou que os promotores ainda podem recorrer.

Investigação Pandora II e retorno a Honduras

Hernández voltou a Honduras no fim de julho, após ser extraditado para os Estados Unidos em 2022 por acusações de tráfico de drogas. Mais tarde, ele recebeu um perdão do presidente americano Donald Trump no fim do ano passado.

Leia também

O perdão foi anunciado dois dias antes das eleições presidenciais de Honduras, em novembro. A medida foi vista amplamente como uma tentativa de influenciar o pleito. Naquele período, Trump afirmou que cortaria o financiamento destinado a Honduras se o candidato do Partido Nacional, de direita, Nasry Asfura, não vencesse a eleição.

Nasry Asfura agora é presidente.

Mesmo após a libertação, Hernández continuou respondendo em Honduras por acusações de fraude e lavagem de dinheiro dentro da investigação de corrupção conhecida como Pandora II. Os promotores afirmaram que ele e outros funcionários de alto escalão desviaram quase US 11 milhões em recursos públicos para campanhas políticas entre 2010 e 2013.

Parte do dinheiro teria financiado a primeira campanha presidencial de Hernández.

As acusações também foram arquivadas contra o ex – presidente Porfirio Lobo e o ex – ministro das Finanças Wilfredo Cerrato. Hernández governou Honduras de 2014 a 2022, período em que o país se tornou uma importante rota do tráfico de drogas, enquanto centenas de milhares de hondurenhos deixaram suas casas por causa da violência e da extorsão ligadas ao narcotráfico.

Durante esse período, promotores americanos disseram que Hernández usou o cargo para comandar Honduras “como um narcoestado” e permitiu que traficantes operassem com “praticamente total impunidade”. Em uma entrevista à Reuters no fim de julho, ele afirmou que não planejava assumir imediatamente um cargo público em Honduras, mas pretendia apoiar o novo governo.