Honda Motor enfrenta primeiro prejuízo anual em quase 70 anos e reavalia estratégia elétrica

Honda Motor registra primeiro prejuízo anual em quase 70 anos
A Honda Motor anunciou nesta quinta-feira (14) seu primeiro prejuízo anual em quase sete décadas como empresa de capital aberto. A montadora enfrentou mais de US$ 9 bilhões em custos relacionados à reestruturação de seu setor de veículos elétricos.
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Apesar desse resultado negativo, a operação de motocicletas no Brasil e na Índia impediu que o cenário fosse ainda pior. O relatório financeiro, considerado o mais desastroso desde a listagem da Honda na bolsa em 1957, evidencia os riscos de uma estratégia agressiva em veículos elétricos, especialmente diante de uma demanda abaixo do esperado.
Toshihiro Mibe, presidente-executivo da segunda maior montadora do Japão, informou que a Honda cancelou a meta de que os veículos elétricos representassem 20% das vendas de carros novos até 2030. Além disso, a empresa também desistiu de sua meta de transição total para motorização elétrica ou por célula de combustível até 2040.
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Mibe anunciou a suspensão indefinida do projeto de veículos elétricos no Canadá, que envolvia um investimento de US$ 11 bilhões para a produção de veículos elétricos e baterias, o que seria o maior investimento da Honda no país.
Ações da Honda sobem após anúncio de retornos aos acionistas
Apesar do prejuízo, as ações da Honda alcançaram seu maior patamar em dois meses, após a empresa prometer pelo menos 800 bilhões de ienes em retornos aos acionistas nos próximos três anos. A montadora manteve o dividendo anual em 70 ienes por ação, tanto para o novo ano fiscal quanto para o ano que se encerrou.
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Essa promessa reflete a confiança da Honda em seu lucrativo setor de motocicletas, que deve gerar caixa suficiente para apoiar os retornos aos acionistas, enquanto a divisão automotiva ainda enfrenta desafios em termos de escala e execução.
James Hong, chefe de pesquisa de mobilidade da Macquarie, comentou que a execução geral da Honda tem sido lenta. Algumas das medidas apresentadas pela empresa, como o aumento do uso de componentes locais da China, não são novidades. O prejuízo operacional da Honda foi de 414,3 bilhões de ienes (US$ 2,63 bilhões) no ano encerrado em março, superando a estimativa de perda de 315,6 bilhões de ienes, conforme dados da LSEG.
No ano anterior, a companhia havia registrado um lucro de 1,2 trilhão de ienes.
Expectativas para o futuro e desempenho das motocicletas
A Honda acumulou perdas totais relacionadas a veículos elétricos de 1,45 trilhão de ienes no ano fiscal encerrado em março e projeta enfrentar custos adicionais de 500 bilhões de ienes no ano que se inicia. Esses custos são inferiores à estimativa anterior de até 2,5 trilhões de ienes.
A empresa espera retornar à lucratividade neste ano, prevendo um lucro de 500 bilhões de ienes, impulsionado por medidas de redução de custos e pelo desempenho positivo de seu setor de motocicletas.
O negócio de motocicletas da Honda planeja expandir a capacidade de produção na Índia, com a meta de alcançar um recorde de vendas de 22,8 milhões de unidades. As vendas robustas na Índia e no Brasil permitiram que a divisão de motocicletas da Honda registrasse um volume de vendas e lucro operacional recorde no ano fiscal encerrado em março, ajudando a mitigar o impacto das perdas contábeis relacionadas aos veículos elétricos e a queda nas vendas de automóveis em mercados-chave, como a China.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



