Casas Bahia registra prejuízo de R$ 1,06 bilhão e adota cautela em 2026

Casas Bahia Registra Prejuízo de R$ 1,06 Bilhão no Primeiro Trimestre
A Casas Bahia reportou um prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão no primeiro trimestre de 2026, impactada por resultados financeiros negativos, embora tenha apresentado evolução em seu desempenho operacional. O presidente-executivo da empresa, Renato Franklin, destacou que a estratégia para o ano é adotar uma postura mais conservadora na concessão de crédito, na gestão de riscos e nas compras com fornecedores, em resposta ao cenário macroeconômico desafiador.
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Franklin ressaltou que a companhia conseguiu implementar ações que aliviaram a pressão de curto prazo, permitindo que a empresa não precisasse vender ativos a preços baixos ou conceder crédito indiscriminadamente. Ele observou que, apesar da alta demanda por crédito, o risco associado a essa demanda é significativo.
No entanto, no início de maio, não houve um aumento esperado nas vendas de TVs, que eram projetadas para crescer devido à Copa do Mundo.
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Desempenho das Vendas e Expectativas Futuras
O executivo mencionou que a empresa está ampliando sua participação no mercado de TVs, especialmente no e-commerce, onde a penetração de crédito melhorou em relação ao ano anterior. Contudo, o crescimento do mercado ainda não se concretizou. Franklin enfatizou a necessidade de uma abordagem conservadora, priorizando ações que não envolvam riscos excessivos, mesmo diante de oportunidades de crescimento.
Para o segundo trimestre, ele acredita que eventos como o Dia das Mães e a Copa do Mundo podem impulsionar as vendas, mas recomenda cautela e uma visão realista. Para o segundo semestre, há uma expectativa de melhora no ambiente macroeconômico, influenciada por eventos como as eleições, que podem beneficiar a base da pirâmide social e a empresa.
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No entanto, a perspectiva de curto prazo permanece conservadora.
Resultados Financeiros e Desafios
No primeiro trimestre, a receita líquida das Casas Bahia cresceu 6,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 7,4 bilhões. As despesas com vendas, gerais e administrativas aumentaram 5,4%, totalizando R$ 1,7 bilhão. A margem bruta da companhia foi de 30,3%, ligeiramente superior aos 30,2% do ano anterior.
A receita bruta das vendas online subiu 24%, atingindo quase R$ 3,3 bilhões, com o canal próprio (1P) crescendo 26,4%, para R$ 3 bilhões.
Por outro lado, as vendas nas lojas físicas somaram quase R$ 5,6 bilhões, apresentando uma queda de 1,8%. O Ebitda ajustado da Casas Bahia foi de R$ 597 milhões, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, com a margem nessa linha caindo de 8,2% para 8,1%.
A alta taxa de juros, refletida no aumento do CDI médio de 12,94% no primeiro trimestre de 2025 para 14,86% no mesmo período de 2026, pressionou o resultado financeiro, que ficou negativo em R$ 1,2 bilhão, 27% maior que no ano anterior.
Fluxo de Caixa e Alavancagem Financeira
Franklin destacou que o fluxo de caixa livre da empresa foi de R$ 852 milhões, representando um ponto de inflexão, embora o saldo final, considerando a parte financeira, ainda mostrasse um consumo de caixa de R$ 224 milhões, devido ao pagamento de juros e captações.
A companhia manteve sua alavancagem financeira quase estável, em 0,5 vez, em comparação a 0,4 vez no último trimestre do ano passado.
O presidente-executivo afirmou que a empresa superou uma fase de altos riscos e estrutura alavancada, entrando em um novo ciclo onde é necessário demonstrar a capacidade de gerar valor. Franklin mencionou que o aumento na escala do canal online próprio (1P), o crescimento em soluções financeiras e a monetização da logística são estratégias que podem se tornar diferenciais competitivos no longo prazo.
Autor(a):
Júlia Mendes
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.



