Homenagem a Rubens Paiva abre sessão do comitê da ONU sobre desaparecimentos forçados

As filhas do deputado, Beatriz Paiva Keller e Ana Lúcia Paiva, abriram os trabalhos e relembraram a luta da família por verdade e justiça.

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Foto: Reprodução

Homenagem ao deputado Rubens Paiva marca início da sessão do Comitê de Desaparecimentos Forçados

A trigésima sessão do Comitê das Nações Unidas sobre Desaparecimentos Forçados (CED) teve início nesta segunda-feira (9) com um gesto significativo: a homenagem a Rubens Paiva, um deputado brasileiro torturado e assassinado pela ditadura militar em 1971.

A presença de suas filhas, Beatriz Paiva Keller e Ana Lúcia Paiva, que abriram a sessão, trouxe à tona a luta de sua família por verdade, justiça e responsabilização, um tema central nas discussões do sistema internacional de direitos humanos.

A Luta pela Verdade e Justiça da Família Paiva

Beatriz Paiva Keller, visivelmente emocionada, representou a trajetória familiar na busca por respostas e responsabilização. Ela relatou a brutalidade do ataque sofrido por seu pai, um engenheiro civil que se dedicava a reformas sociais e à defesa dos mais pobres, e a subsequente morte causada por agentes da ditadura.

A recente construção de uma estátua em sua homenagem no Rio de Janeiro, em frente à antiga caserna da Barão de Mesquita, onde foi assassinado, tornou-se um símbolo de memória e indignação, um local de visita por aqueles que reconhecem em Rubens Paiva um símbolo da resistência democrática.

Testemunhos e Desafios na Busca por Justiça

Ana Lúcia Paiva leu uma carta escrita por seu pai durante o exílio, explicando as razões de seu afastamento político e reafirmando seu compromisso com a justiça social. Ela compartilhou detalhes sobre a ajuda que o pai oferecia aos familiares de exilados e perseguidos políticos, até ser novamente capturado e morto.

A família, por mais de 40 anos, manteve o tema em silêncio, um tabu que hoje é quebrado, reconhecendo a importância de romper com o silêncio e buscar a verdade.

A Importância do Trabalho do Comitê e o Futuro da Luta

Carmen Rosa Villa Quintana, especialista do Comitê, ressaltou a importância do trabalho do CED, que continua relevante em diversas partes do mundo, onde o desaparecimento forçado persiste como uma realidade. Ela mencionou a luta da mãe das irmãs, Eunice Paiva, para que o Estado brasileiro reconhecesse oficialmente a morte de seu marido, o que só ocorreu 25 anos depois.

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Em 2025, o Conselho Nacional de Justiça reconheceu que a morte de Rubens Paiva foi violenta e causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática a dissidentes políticos. O presidente do CED, Juan Pablo Albán Alencastro, destacou os 20 anos da Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado, alertando para os desafios enfrentados pelo sistema internacional de direitos humanos, incluindo cortes orçamentários e o retorno do autoritarismo.

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