Hengzhou, na China, solta 900 cobras após enchentes e registra 39 mortes

A soltura de cobras em Hengzhou gera preocupação entre os moradores, que enfrentam riscos adicionais após as enchentes devastadoras que já causaram 39 mortes.

10/07/2026 02:33

4 min

Imagem captada por drone mostra enchente após fortes chuvas causadas pelo tufão Maysak, em Hengzhou, na China, em 6 de julho de 2026
Imagem captada por drone mostra enchente após fortes chuvas caus...

A cidade de Hengzhou, no sul da China, enfrenta uma situação alarmante com a soltura de cerca de 900 cobras, muitas delas venenosas, após enchentes devastadoras. O desastre já causou a morte de 39 pessoas, segundo a mídia estatal. Uma mulher foi picada por uma cobra, possivelmente uma naja, que escapou de uma das fazendas de répteis inundadas na região.

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A imprensa local também relata que outras pessoas foram mordidas durante esse período crítico. Conhecida como a “capital chinesa do jasmim”, Hengzhou está situada na planície do sudeste da região de Guangxi e é famosa pela produção dessa flor, cultivada há aproximadamente 500 anos para a fabricação de chá.

Desafios com as cobras soltas

Entretanto, o jasmim não é a única característica marcante da cidade. Nas últimas décadas, Hengzhou se tornou um importante centro de criação de cobras, com mais de 100 espécies registradas. A região faz fronteira com o Vietnã e abriga diversas minorias étnicas.

Para os moradores locais, a carne de cobra é vista como um alimento nutritivo e sua captura faz parte das tradições culturais.

Em 2020, Guangxi tinha quase 20 milhões de cobras em mais de 14 mil criadouros, conforme um relatório do jornal Guangxi Daily. Atualmente, muitos desses animais são criados para aplicações farmacêuticas e biomédicas. As najas e as cobras – rato são as espécies mais comuns nos criadouros; enquanto as cobras – rato não possuem veneno, o veneno da naja pode ser letal.

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Agora, essa atividade econômica se tornou um desafio significativo para as autoridades locais. Um membro da equipe responsável pela captura das cobras, identificado apenas como Zhu, informou ao Beijing News que o grupo trabalhou incessantemente por dois dias e conseguiu capturar entre 2 mil e 3 mil cobras — número que superou as expectativas iniciais sobre os animais que haviam escapado.

A resposta das autoridades e segurança da população

A maioria das cobras capturadas era composta por cobras – rato. Zhu explicou que após as enchentes, esses animais buscam abrigo em lugares escondidos como cantos de casas. Os moradores alertam a equipe quando encontram alguma cobra; depois disso, os répteis são entregues a profissionais para serem devolvidos à natureza. “Capturamos entre duas e três mil em dois dias.

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Praticamente retiramos todas”, afirmou Zhu ao Beijing News.

Imagens divulgadas pela imprensa mostram cenas inusitadas: um homem tentando capturar uma cobra que nadava nas águas inundadas enquanto outros aguardavam com redes. Em meio à agitação, risadas nervosas ecoavam enquanto as pessoas assistiam à cena.

No entanto, as autoridades têm enfatizado os riscos envolvidos. Moradores relataram ao Beijing News que não conseguiram socorrer a mulher atacada rapidamente devido às dificuldades no acesso ao atendimento médico enquanto o veneno fazia efeito. “Pedimos ajuda, mas era tarde demais”, lamentou um morador.

Orientações para a população

Diante dessa crise, o governo local divulgou recomendações para a população evitar atividades externas à noite e manter distância de áreas com mato e lagoas onde as cobras possam se abrigar após as enchentes. Um comunicado da agência estatal Xinhua destacou que “a maioria das cobras prefere ambientes úmidos e frescos e geralmente não ataca seres humanos sem provocação”.

Além disso, a agência sugeriu espalhar pó repelente nas entradas das casas para afastar os animais. “Ao caminhar em áreas externas, evite locais onde houve registros da presença de cobras ou use um bastão para espantar possíveis répteis escondidos”, acrescentou Xinhua.

Os hospitais da região afirmaram ter estoques suficientes de soro antiofídico para atender às necessidades durante essa crise, desde que as vítimas recebam tratamento rapidamente. Com as águas baixando lentamente, ainda resta saber por quanto tempo essas centenas de cobras continuarão representando um risco à população local e se serão capturadas antes que o perigo diminua.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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