Enchentes em Hengzhou, na China, liberam 900 cobras e causam 39 mortes, incluindo picada de naja

A cidade de Hengzhou, no sul da China, enfrenta uma situação alarmante com a liberação de cerca de 900 cobras após enchentes devastadoras. Essa ocorrência já resultou na morte de 39 pessoas, conforme relatado pela mídia estatal. Uma mulher perdeu a vida após ser picada por uma cobra, possivelmente uma naja, que escapou de uma das fazendas de répteis inundadas.
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A região, conhecida como a “capital chinesa do jasmim”, abriga aproximadamente 1 milhão de habitantes e é famosa pelo cultivo dessa flor, utilizado na produção de chá há cerca de 500 anos. Contudo, o jasmim não é o único destaque local; nos últimos anos, Hengzhou se tornou um importante centro para a criação de cobras, com mais de 100 espécies registradas.
Impacto das enchentes e atividade econômica
A inundações transformaram essa atividade econômica em um verdadeiro desafio para as autoridades locais. Em 2020, Guangxi, onde Hengzhou está localizada, tinha quase 20 milhões de cobras distribuídas em mais de 14 mil criadouros. A maioria dessas serpentes é criada para aplicações farmacêuticas e biomédicas, mas algumas espécies são usadas na culinária local.
Um membro da equipe civil encarregada da captura das cobras, conhecido apenas como Zhu, informou ao Beijing News que o grupo trabalhou incessantemente por dois dias e conseguiu capturar entre 2 mil e 3 mil cobras. Esse número superou as expectativas iniciais sobre a quantidade de animais que haviam escapado.
A maior parte das cobras capturadas era composta por cobras – rato, que não são venenosas.
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Após as enchentes, as cobras tendem a buscar abrigo em locais escondidos nas residências. Os moradores têm colaborado com as equipes ao avisar sobre avistamentos. As serpentes capturadas são entregues a profissionais responsáveis pela devolução à natureza.
Orientações às autoridades e riscos para a população
Com vídeos mostrando os esforços para capturar as cobras —incluindo um homem tentando pegar uma cobra que nadava nas águas — a situação se tornou um tanto caótica. Moradores relataram dificuldades em socorrer a mulher atacada devido ao acesso limitado ao atendimento médico enquanto o veneno agia rapidamente.
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Na quarta – feira, o governo local publicou orientações para minimizar riscos. A população foi aconselhada a evitar atividades ao ar livre durante a noite e manter distância de áreas com mato ou lagoas. Um comunicado da agência estatal Xinhua destacou que as cobras geralmente não atacam seres humanos sem provocação.
As autoridades também sugeriram o uso de pó repelente nas entradas das casas para afastar esses animais indesejados. Além disso, recomenda – se usar bastões ao caminhar em áreas externas para espantar possíveis cobras escondidas na vegetação.
Enquanto isso, hospitais da região garantiram ter estoques suficientes de soro antiofídico para atender às vítimas — desde que recebam tratamento rapidamente. Com as águas baixando gradualmente, ainda não se sabe por quanto tempo as cobras continuarão representando um perigo real para os moradores locais.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



