Greenpeace Brasil denuncia esquema de lavagem de ouro ilegal na Amazônia

Estudo do Greenpeace Brasil expõe esquema de “garimpos fantasmas” que lavam ouro ilegal na Amazônia, revelando fraudes bilionárias. Descubra os detalhes!

(Imagem de reprodução da internet).

Estudo do Greenpeace Brasil Revela Lavagem de Ouro Ilegal na Amazônia

Um estudo recente da organização ambiental Greenpeace Brasil revelou que “garimpos fantasmas” estão sendo utilizados para “lavar” ouro ilegal na Amazônia. Essa prática tem permitido a expansão do garimpo ilegal em Terras Indígenas e Unidades de Conservação.

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De acordo com a pesquisa, o processo ocorre quando o ouro é atribuído a uma PLG (Permissão de Lavra Garimpeira), um registro que confere uma aparência de legalidade à extração e possibilita a inserção do ouro no mercado global como um ativo “limpo”.

O relatório intitulado “Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude” destaca que esses garimpos fazem parte de um esquema bilionário.

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Entre 2018 e março de 2026, 98 PLGs com irregularidades foram identificadas. O relatório explica que a lavagem do minério segue um ciclo: inicialmente, o ouro é extraído de Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Em seguida, o minério é atribuído a uma PLG válida, conhecida como garimpo fantasma.

Esse esquema permite a emissão de notas fiscais e declarações de origem, conferindo ao minério uma aparência de legalidade. Por fim, uma DTVM (Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários) adquire o ativo, respaldada pela documentação fraudulenta.

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Definição de Garimpo Fantasma

O estudo analisou 187 processos minerários e definiu garimpos fantasmas como PLGs que não possuem exploração mineral efetiva ou compatível com a produção de minério declarada. Dessa forma, a distribuidora de títulos consegue informar à Agência Nacional de Mineração o recolhimento da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) como se o minério tivesse sido extraído da área licenciada, permitindo sua inserção na cadeia formal de comercialização.

O relatório do Greenpeace identificou esses garimpos por meio de imagens de satélite e sobrevoos de validação, que confirmaram a ausência total de atividades garimpeiras ou a incompatibilidade com o volume declarado, que chega a 29,6% entre as 98 PLGs irregulares.

As análises, que cruzaram dados históricos da CFEM com imagens de satélite e sobrevoos, mostraram que os garimpos foram considerados fantasmas pela falta de cicatrizes típicas de exploração, como piscinas, escavações e alterações de relevo.

Impactos Ambientais e Sociais

O relatório também destaca que a lavagem de ouro por meio das PLGs facilita a invasão de terras indígenas e áreas protegidas, contribuindo para a destruição de florestas e rios. Essa prática altera a turbidez da água e dos leitos, liberando metais altamente tóxicos ao meio ambiente e à saúde humana.

Uma análise do WWF-Brasil, mencionada no relatório, revelou que mais da metade (51,7%) dos rios na sub-bacia do Tapajós estão comprometidos.

O estudo conclui que o avanço do garimpo prejudica as condições de vida dos povos indígenas, contaminando rios, afastando a fauna, degradando áreas de caça e pesca, inviabilizando práticas agrícolas tradicionais e ameaçando a segurança alimentar.

Além disso, essa situação introduz doenças, violência, exploração sexual, tráfico de pessoas e outras violações de direitos humanos.