Governo Lula mira ONU e G20 para pedir não interferência nas eleições de 2026

Lula levará à ONU e ao G20 alerta da Abin sobre risco de interferência dos EUA nas eleições de 2026.

20/09/2026 04:33

3 min

22.08.2026 — O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha no Rio de Janeiro: o evento “Lula no Rio de Janeiro: O Brasil Pronto Pra Mais”, realizado no Estádio Moça Bonita, Rio de Janeiro – RJ. Foto: Ricardo Stuckert
22.08.2026 — O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silv...

O governo Lula aposta suas fichas nas duas últimas grandes agendas internacionais antes das eleições de outubro para defender a soberania nacional e pedir que potências estrangeiras não interfiram no pleito brasileiro. O presidente embarca neste domingo (20) para Nova York, onde discursará na abertura da Assembleia Geral da ONU na terça – feira (22.

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Como manda a tradição desde 1955, Lula será o primeiro chefe de Estado a falar. Logo depois, sobe ao palco o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Até agora, não há reunião bilateral marcada nem pedido formal de encontro entre os dois governos.

Ainda assim, o Planalto não descarta um bate – papo informal nos bastidores, enquanto um deixa a área reservada e o outro se prepara para entrar.

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Relatório da Abin acende alerta sobre influência dos EUA

A defesa da soberania nacional e o pedido por neutralidade nas eleições brasileiras devem marcar a fala do presidente na ONU. O tom ganha ainda mais peso depois que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) enviou um relatório ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no fim de agosto.

O documento, publicado pelo jornal Folha de SPaulo neste sábado (19) e confirmado pela CNN Brasil, elevou a possibilidade de influência dos EUA nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade”.

A agência aponta uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”. O texto analisa documentos do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026 e afirma que a hegemonia americana na América Latina é “prioridade do segundo governo Trump”.

Agenda antes do pleito inclui reunião sobre tarifaço

Antes das eleições de outubro, o chanceler brasileiro Mauro Vieira volta aos Estados Unidos para a reunião de ministros de Comércio do G 20. Ele estará acompanhado do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

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A viagem a Milwaukee está marcada entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro.

A expectativa é que representantes do Brasil e dos EUA se encontrem para discutir o tarifaço. Se confirmado, será o primeiro encontro presencial desde que os dois países retomaram o diálogo sobre o tema. Um telefonema ocorreu no último dia 21, e desde então reuniões técnicas vêm acontecendo.

As investigações americanas miravam desde o desmatamento até pagamentos digitais, e os EUA ainda impuseram tarifas ao país.

Discurso na ONU deve abordar guerras, clima e regulação digital

O discurso de Lula na ONU, com duração prevista entre 15 e 20 minutos, deve defender o multilateralismo e a soberania. A expectativa é que o presidente rejeite a interferência de outros governos nas eleições brasileiras. Ele também deve tratar das guerras e de seus efeitos sobre a economia mundial, incluindo a produção e o preço dos alimentos.

Lula pretende voltar a defender uma saída diplomática para os conflitos e alertar para o avanço da corrida armamentista e a disputa internacional por recursos naturais estratégicos. Na agenda ambiental, o presidente deve citar a COP 30 e apresentar o Brasil como defensor de um modelo que combine crescimento econômico e preservação.

A regulação de plataformas digitais também entra no discurso, com menções ao ECA Digital, à proteção de crianças e mulheres e aos desafios impostos pela inteligência artificial.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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