Governo dos EUA anuncia empréstimos de US$ 1,25 bilhão para expandir processamento de terras raras

O investimento de US$ 1,25 bilhão visa fortalecer a cadeia de processamento de terras raras nos EUA, essencial para a produção de ímãs em setores estratégicos

Trump durante coletiva de imprensa no G7, na França

O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou dois compromissos de empréstimo que totalizam US$ 1,25 bilhão em um intervalo de apenas três dias. Os acordos visam expandir a cadeia de processamento de terras raras no país e foram divulgados pelo Escritório de Capital Estratégico, vinculado ao Departamento de Guerra.

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O primeiro compromisso foi revelado na terça-feira, 16 de agosto, e envolve um empréstimo condicional de US$ 500 milhões com a empresa Phoenix Tailings. Este recurso será combinado com capital privado adicional para possibilitar investimentos que podem alcançar cerca de US$ 1 bilhão.

Novos Investimentos para a Energy Fuels

Na quinta-feira, 18 de agosto, o Departamento de Guerra anunciou um segundo compromisso, desta vez com a Energy Fuels, no valor de US$ 725 milhões. Tradicionalmente associada à produção de urânio, a Energy Fuels está ampliando sua atuação no mercado de terras raras.

O objetivo central desses investimentos é aumentar a capacidade dos Estados Unidos na separação e metalização dessas substâncias, etapas consideradas essenciais entre a extração mineral e a fabricação de ímãs permanentes.

A importância dessas etapas intermediárias se destaca na indústria ocidental, onde não basta simplesmente ter acesso ao minério. Para produzir ímãs utilizados em equipamentos militares, veículos elétricos e turbinas eólicas, é fundamental dominar processos como separação, refino e metalização.

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A Phoenix Tailings utilizará os recursos para expandir suas operações em instalações já existentes e construir uma nova unidade dedicada à separação e metalização nos Estados Unidos. Atualmente, a empresa possui duas unidades operacionais em Burlington, Massachusetts, e Exeter, New Hampshire.

Fortalecimento da Cadeia “Mine-to-Magnet”

David A. Lorch, diretor do Escritório de Capital Estratégico, destacou que apoiar o processamento doméstico de minerais críticos é uma prioridade do governo. Ele afirmou que as capacidades intermediárias representadas pela Phoenix Tailings são áreas críticas que precisam ser desenvolvidas rapidamente.

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O apoio à empresa é visto como um passo significativo para fortalecer a cadeia “mine-to-magnet”, expressão utilizada pelo governo americano para descrever a integração entre a mineração e a produção de ímãs.

A Energy Fuels também planeja usar o financiamento para expandir suas operações no processamento intermediário de terras raras. A empresa opera o White Mesa Mill em Utah, onde realiza tanto o processamento de urânio quanto a separação de óxidos de terras raras.

Segundo Lorch, essa expansão representa uma solução importante para um gargalo nacional que deve ser abordado com urgência.

É relevante notar que esses compromissos financeiros ainda são condicionais; isso implica que as empresas devem cumprir uma série de exigências financeiras e legais antes da concretização dos empréstimos. Apesar dos montantes significativos envolvidos, os recursos não serão desembolsados imediatamente.

Esses anúncios estão alinhados com as prioridades do governo americano em termos de segurança nacional. A ampliação da capacidade doméstica é vista como essencial para mitigar vulnerabilidades na base industrial dos EUA e garantir uma cadeia de suprimentos mais robusta.

Além disso, essa estratégia busca reduzir a dependência das cadeias dominadas pela China, país que ainda detém uma parte considerável da capacidade global nas etapas de separação e processamento das terras raras.

A ofensiva americana evidencia que a disputa global se estende além do acesso às reservas minerais; agora inclui também o controle estratégico sobre as etapas industriais fundamentais para transformar matérias-primas em insumos essenciais para defesa, energia e tecnologia moderna.