Governo de Minas Gerais concede R19,4 Bilhão em Isenção Fiscal

Governo concede R19,4 Bilhão em isenção fiscal; especialistas alertam sobre ausência de investimentos essenciais em Minas Gerais.

Dados revelaram que a gestão de Romeu Zema (Novo) concedeu quase 2,5 milhões em isenção de impostos para a Eletrozema S/A, empresa controlada pela família do ex-governador.

A concessão massiva de isenções tributárias por parte do Governo de Minas Gerais voltou à força no debate político e acadêmico após o vazamento da lista completa das 20 empresas favorecidas pelos subsídios estaduais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), os incentivos fiscais concedidos na gestão estadual alcançaram R 19,4 bilhão somente em 2025. Os dados revelam que grandes grupos econômicos receberiam valores significativos: a Ambev ficaria com direito a R 1,5 bilhão; Souza Cruz teria acesso a R600 milhões; Mercado Livre seria beneficiado por mais R 500 milhões e Eletrozema SA — empresa ligada à família do ex – governador —, recebeu o valor de R 2,28 milhão.

Debate sobre incentivos fiscais no estado

O caso reacendeu uma discussão ampla em Minas Gerais acerca das escolhas feitas pelo governo estadual nos últimos sete anos. Enquanto grandes corporações receberam descontos tributários milionários, os cidadãos observaram que MG acumulou aumento da dívida pública sem conseguir ampliar investimentos essenciais para saúde, educação ou infraestrutura econômica.

Essa situação gerou críticas contundentes na esfera política e acadêmica. A deputada Bella Gonçalves (PT) criticou o processo de concessão dos benefícios estaduais ao afirmar: “As 20 empresas receberam quase a totalidade do incentivo fiscal concedido por Minas; é preciso entender como isso foi feito”.

Especialistas questionam retorno econômico

Economistes apontam dúvidas sobre se os subsídios fiscais realmente trazem um benefício duradouro à economia mineira, mesmo que estejam dentro da legalidade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Sou muito crítico em relação às políticas de desonerações porque, em geral, elas são pouco efetivas”, avalia o economista Weslley Cantelmo. Ele argumenta que para haver sentido no gasto tributário, seria necessário garantir resultados esperados e contrapartidas claras na transformação econômica do estado.

Cantelmo ressalta ainda a falta desse tipo de resultado: “Na prática, vemos apenas as empresas recebendo esses benefícios; incorporam os valores aos seus lucros sem mudar significativamente a estrutura produtiva de Minas Gerais”.

Leia também

Posicionamento oficial sobre legalidade

Por outro lado, representantes estaduais defenderam veementemente a constitucionalidade dos incentivos concedidos pelo governo Zema (Novo). Em nota, Romeu Zema esclareceu que o benefício da Eletrozema SA é um direito adquirido desde 2008 e segue regras legais aplicadas ao setor.

O Governo de Minas também garantiu publicamente que todos esses regimes especiais tributários estão em conformidade com as normas do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) no objetivo declarado de aumentar a competitividade local. A Secretaria Estadual de Fazenda informou ainda estudos apontando retorno financeiro: cada R 1 investido via incentivo retornaria R 1,26 aos cofres públicos por meio movimentação econômica geral.

Foco na população versus grandes grupos. A deputada Bella Gonçalves reforçou o questionamento sobre prioridades orçamentárias estaduais ao declarar publicamente que “Não é falta dinheiro; há apenas uma escolha em relação à destinação desses recursos”.

“Enquanto as gigantes recebem bilhões como benefícios fiscais, a própria população enfrenta problemas nos serviços básicos”, concluiu ela. O debate se mantém aceso entre os interesses corporativos e a necessidade de investimento nas áreas sociais do estado mineiro.