Governo brasileiro notifica EUA sobre reciprocidade para negociar tarifas, diz Arko Advice

O governo brasileiro busca reverter tarifas americanas por meio da Lei de Reciprocidade Econômica, priorizando negociações para evitar tensões comerciais.

15/08/2026 06:11

3 min

Palácio do Itamaraty, sede do Ministério de Relações Exteriores
Palácio do Itamaraty, sede do Ministério de Relações Exteriores

O governo brasileiro notificou os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em resposta às tarifas impostas pela administração de Donald Trump aos produtos brasileiros. A informação foi confirmada por Michael Lopez Stewart, da Arko Advice, que explicou que a intenção do governo federal é pressionar para que Washington retome as negociações sobre as taxações, sem escalar as tensões comerciais.

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O Brasil enfrenta duas tarifas distintas: uma de 25% específica para produtos nacionais e outra de 12,5%, que também se aplica a outros países. Em alguns casos, as tarifas combinadas podem alcançar até 37,5%, embora haja uma lista de exceções para certos produtos.

A Lei de Reciprocidade Econômica

A decisão do governo brasileiro envolve a ativação formal da Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso e sancionada em 2025. Stewart ressalta que essa ação não configura uma retaliação imediata. O processo iniciado agora inclui a notificação do Itamaraty ao governo americano, solicitando a abertura de consultas diplomáticas.

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Simultaneamente, a Camex irá avaliar os impactos das tarifas e quais medidas poderiam ser adotadas futuramente. O próprio governo brasileiro já deixou claro que pretende agir com proporcionalidade, priorizando as negociações. Márcio Elias Rosa enfatizou que o Brasil adotará somente ações que possam contribuir para resolver o impasse comercial.

Nesse contexto, a lei serve tanto como um instrumento de pressão quanto de negociação. O Brasil demonstra ter mecanismos para responder às tarifas americanas, mas mantém aberta a possibilidade de um acordo com Washington.

Três pontos de atenção na relação Brasil – EUA

Um dos pontos críticos a serem observados é o impacto econômico. A imposição das tarifas pode afetar diretamente setores mais expostos ao mercado americano. Qualquer escalada tarifária gera incertezas e pode prejudicar exportações, investimentos e decisões empresariais no país.

Outro aspecto importante é o diplomático. Com essa ação formalizada, o Brasil potencialmente provoca uma reação por parte dos Estados Unidos. Dado o perfil do governo Trump, novas medidas contra o Brasil não estão descartadas.

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Por fim, há um ponto político relevante. Para Stewart, é pouco provável que o Brasil avance rapidamente para uma retaliação efetiva, pois ainda há interesse em negociar e um reconhecimento de que uma escalada comercial poderia trazer custos elevados para ambos os lados. É essencial observar como Lula se posicionará nas próximas semanas nesse contexto.

Movimentações diplomáticas

Atualmente, o governo brasileiro entra em uma fase de maior exposição política internacional, especialmente com a aproximação da agenda eleitoral e eventos importantes no calendário diplomático como a próxima cúpula dos BRICS. Esta semana marcou uma nova frente de pressão do Brasil sobre os Estados Unidos — um movimento que carrega considerável peso diplomático, mesmo distante de uma decisão definitiva de retaliação.

A questão central agora é se esse instrumento levará os países à mesa de negociações ou se as relações com Washington seguirão rumo a uma escalada nas tensões comerciais.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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