Geraldo Alckmin rebate acusações dos EUA sobre tarifas em reunião de emergência

Geraldo Alckmin contesta tarifas de 25% dos EUA em reunião de emergência, defendendo a política comercial do Brasil e refutando acusações do USTR.

03/06/2026 10:01

4 min

Geraldo Alckmin rebate acusações dos EUA sobre tarifas em reunião de emergência
(Imagem de reprodução da internet).

Reunião de Emergência sobre Tarifas dos EUA

Após uma reunião de emergência para discutir as ações em resposta à recomendação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre a imposição de tarifas de 25% sobre as importações do Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) contestou as acusações contidas no comunicado.

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O Brasil procurou refutar os pontos levantados em um comunicado divulgado nesta terça-feira (2). O governo brasileiro afirma que, durante as reuniões com os técnicos do USTR, foram apresentadas “fartas documentações” que demonstram que a política comercial do Brasil não discrimina, não prejudica o comércio dos EUA e não viola normas internacionais em vigor.

O governo brasileiro destaca que a legislação nacional assegura tratamento equitativo a empresas nacionais e estrangeiras, sem impor restrições às grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Além disso, o governo federal enfatiza que a ferramenta de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública e gratuita, operada pelo Banco Central do Brasil, amplamente aceita pela população, com a participação ativa de empresas norte-americanas nesse ecossistema.

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Tarifas Preferenciais e Acordos Comerciais

A nota oficial refuta a alegação do governo dos EUA de que o Brasil mantém acordos tarifários preferenciais com o México e a Índia em setores onde esses países já são competitivos globalmente, como veículos, produtos químicos e maquinário.

Segundo o governo brasileiro, esses acordos não restringem o acesso de produtos norte-americanos ao mercado brasileiro. Insumos e componentes de origem norte-americana utilizados em produtos brasileiros se beneficiam dos acordos do Mercosul com outros mercados.

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Em relação à aplicação de leis anticorrupção, o USTR aponta falhas do Brasil no combate à corrupção, alegando que o governo não investigou e processou adequadamente casos de suborno estrangeiro. Em resposta, o Planalto afirma que o Brasil é parte dos principais instrumentos internacionais de combate à corrupção e possui um arcabouço legal e institucional robusto, que é regularmente avaliado por mecanismos multilaterais competentes.

Propriedade Intelectual e Setor de Etanol

O USTR também menciona o tempo de espera para a análise de patentes no Brasil, especialmente no setor biofarmacêutico, que é cerca de 30% maior do que nos EUA, sem mecanismos de compensação pela demora. O Brasil, por sua vez, argumenta que os Estados Unidos são os principais beneficiários do sistema de propriedade intelectual brasileiro, respondendo por aproximadamente 30% dos pedidos de patente e liderando os contratos de licenciamento.

Os pagamentos de royalties ao mercado norte-americano totalizaram US$ 1,38 bilhão em 2024, o dobro do registrado em 2020.

Sobre o etanol, os EUA mencionam o fim da cooperação bilateral, com o Brasil impondo uma tarifa de 18% sobre o etanol norte-americano desde 2023, enquanto o etanol brasileiro continua com acesso livre ao mercado dos EUA. O Brasil defende que o RenovaBio (Programa Nacional de Biocombustíveis) é acessível a produtores estrangeiros em condições não discriminatórias, e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) tem desenvolvido diretrizes específicas para a participação de produtores norte-americanos.

O Brasil também ressalta que os EUA aplicam uma tarifa de 12,5% sobre o etanol brasileiro, uma diferença relativamente pequena em comparação aos 18% aplicados pelo Brasil.

Desmatamento e Concorrência Desleal

Os EUA afirmam que o Brasil não tem conseguido impedir a invasão de terras e a extração ilegal de madeira, além de mencionar a concorrência desleal dos produtos agrícolas provenientes de terras desmatadas ilegalmente, que chegam ao mercado global com custos artificialmente baixos, prejudicando os produtores norte-americanos que seguem normas legais e ambientais.

Em resposta, o governo brasileiro destaca que, desde 2023, estabeleceu e está cumprindo a meta de zerar o desmatamento até 2030. O desmatamento na Amazônia Legal já foi reduzido em cerca de 50% em comparação a 2022, e a área queimada no país como um todo diminuiu cerca de 40% em 2025 em relação à média do período de 2017 a 2024.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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