Gene neandertal pode aumentar massa muscular e altura em humanos modernos, revela estudo

Uma pesquisa publicada na revista Current Biology revelou que uma variante no gene do receptor de hormônio do crescimento (GHR), herdada dos neandertais, afeta diretamente o corpo dos humanos modernos. Essa mutação, identificada como P561T, parece proporcionar vantagens físicas notáveis aos portadores da herança genética.
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Os cientistas descobriram que adultos com essa variante apresentam maior massa muscular, com um ganho médio de cerca de 271 gramas a mais por alelo. Além disso, esses indivíduos tendem a ser ligeiramente mais altos em comparação aos que não possuem a mutação.
Os resultados foram obtidos através de experimentos laboratoriais que demonstraram que a mutação induz uma proliferação celular 6% mais rápida quando estimulada pelo hormônio do crescimento produzido pela glândula pituitária.
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Distribuição da variante genética
A variante genética é mais prevalente entre populações da Ásia do Sul e do Leste Asiático, enquanto sua presença é praticamente inexistente na África subsaariana. Essa distribuição geográfica sugere uma adaptação evolutiva que pode ter ocorrido em resposta a diferentes ambientes e estilos de vida ao longo da história humana.
Além das implicações relacionadas à massa muscular e altura, a pesquisa também associou essa herança genética a traços faciais robustos. Indivíduos portadores da variante tendem a apresentar características como mandíbula reduzida e uma maior incidência de sobremordida.
Essas particularidades podem refletir adaptações específicas ao longo das gerações, influenciadas pela interação entre humanos modernos e os neandertais.
Efeitos nos dentes e características cranianas
O estudo observou ainda que o gene está relacionado ao desenvolvimento de dentes com raízes menores, especialmente nos caninos superiores. Essa característica dentária pode ter implicações significativas para a compreensão da saúde bucal e das adaptações alimentares dos humanos modernos.
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No entanto, os pesquisadores esclareceram que a influência dessa variante genética não se estende às características cranianas herdadas dos neandertais. Exames de ressonância magnética realizados durante o estudo não revelaram qualquer associação entre o gene GHR e traços como supercílios proeminentes, testa inclinada ou mandíbulas projetadas — características frequentemente atribuídas aos neandertais.
Efeitos físicos na puberdade
Ainda segundo os autores da pesquisa, o impacto físico dessa variante genética se torna evidente apenas após a puberdade, período em que ocorre um aumento significativo nos níveis hormonais no organismo. Esse fenômeno destaca como as interações genéticas podem influenciar o desenvolvimento humano em momentos críticos da vida.
No geral, essas descobertas oferecem uma nova perspectiva sobre como as variantes genéticas herdadas dos neandertais ainda podem impactar as populações humanas contemporâneas. Compreender essa herança pode ajudar não só no campo da biologia evolutiva, mas também nas áreas de saúde e medicina personalizada.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



