Gen Z regelt leva dezenas de milhares às ruas da Alemanha por educação e custo de vida
Dezenas de milhares de pessoas participaram de manifestações em toda a Alemanha no sábado (31). O movimento, liderado por jovens e inspirado em protestos em outras partes da Europa, foi às ruas exigir melhor educação e a redução do custo de vida.
A onda de atos liderados por jovens atravessa a Europa neste ano. Na Sérvia, a mobilização estudantil ajudou a tirar do poder, pelas urnas, um líder que estava no comando do país havia muito tempo. Na França, os protestos degeneraram em tumultos e saques.
Atos são pacíficos, mas há incêndios em Hamburgo
As autoridades alemãs afirmaram que, até aquele momento, as manifestações de sábado, que coincidiram com as comemorações do Halloween, tinham sido em grande parte pacíficas. Elas fizeram um alerta, porém, para tentativas de grupos extremistas de tirar proveito do movimento.
Em Hamburgo, algumas barricadas foram incendiadas.
Em Berlim, a porta-voz do Gen Z regelt, Lina Friedrich, resumiu a mensagem do grupo: “Estamos aqui hoje para lutar pela paz e pela liberdade, e não pela guerra e pela coerção”. Ela acrescentou: “O que mais importa para nós é um melhor apoio aos sistemas de saúde e educação. Somos contra o serviço militar obrigatório e somos a favor de uma distribuição mais justa dos encargos.”
Para o Ministério Federal do Interior, setores da extrema esquerda alemã e alguns grupos ligados a movimentos extremistas de outros países se juntaram para angariar apoio ao ato.
Roman Poseck, ministro do Interior do estado de Hesse, cuja capital é Frankfurt, o centro financeiro da Alemanha, foi direto: “Todos nós temos aquelas imagens da França em nossas mentes, saques, casas em chamas, veículos da polícia incendiados e ataques a policiais”.
Para ele, “a França não deve ser apresentada como modelo nesse sentido.”
Algumas empresas em várias cidades taparam as janelas com tábuas e anteciparam o fechamento por receio de distúrbios, inclusive na luxuosa avenida comercial Kurfürstendamm, em Berlim.
Geração Z cobra resposta do governo
Para os organizadores, o alvo é a pressão que, na visão deles, recai sobre as gerações mais jovens na maior economia da Europa. Steve, de 18 anos, que discursaria em um comício em Munique, dirigiu-se ao chanceler Friedrich Merz: “O governo não ofereceu nenhuma resposta às nossas preocupações, a não ser continuar fazendo cortes e impondo mais encargos sobre nós”.
Ele também avisou que o grupo seguirá na rua: “Continuaremos a exercer nosso direito fundamental de reunião até que você pare de nos ignorar.”
Os atos acontecem enquanto a Alemanha tenta retomar o crescimento econômico e lida com a pressão sobre aposentadorias e serviços públicos. A geração baby boom está se aposentando, e a população em idade ativa diminui. O país tenta recuperar o dinamismo após anos de desempenho fraco, e o chanceler Friedrich Merz já prometeu reformas para impulsionar a economia.
Entidade estudantil se afasta da iniciativa
Há dúvidas sobre quem comanda a campanha e se os jovens a conduzem de fato, diante da grande variedade de grupos políticos e da sociedade civil que participam dela.
A BSK, organização nacional que reúne estudantes do ensino médio, tomou distância da iniciativa e planeja um dia de protesto separado, marcado para 20 de novembro. A secretária-geral da entidade, Amy Kirchhoff, disse na quinta-feira: “Estamos nos distanciando do ‘Gen Z regelt’, mas não dos próprios estudantes, que têm preocupações legítimas”.
Sean Baker, estudante da Universidade Técnica de Berlim, vai às ruas no sábado para chamar atenção para o mau estado dos prédios do campus. “Quando você entra e vai até as salas, parece um prédio abandonado”, contou à Reuters. “No entanto, é aqui que se espera que estudemos regularmente.”
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