Gen Z regelt convoca atos em cerca de 30 cidades da Alemanha por educação e poder de compra
No sábado, manifestações devem acontecer em cerca de 30 cidades da Alemanha, lideradas por um grupo chamado Gen Z regelt. A expressão, que pode ser traduzida como “a Geração Z assume o controle”, reúne reivindicações de uma parcela da sociedade insatisfeita, sobretudo jovens.
Nos últimos dias, a imprensa local e a classe política têm discutido o tamanho dessa mobilização, que cresceu sem que haja organizações tradicionais por trás dela. O site do grupo, que usa um esquilo como logotipo, traz detalhes dos atos e as regras que os participantes devem seguir.
Quais são as principais reivindicações dos organizadores
Os manifestantes pedem mais recursos para as escolas de ensino médio. Eles também denunciam a perda de poder aquisitivo, rejeitam o serviço militar obrigatório e defendem ações pelo clima.
Pouco mais de 160 mil pessoas se cadastraram no site da organização para confirmar presença nos atos.
Duas federações estudantis alemãs, que representam mais de 7 milhões de pessoas, tomaram distância das manifestações de 31 de outubro. A Conferência Federal de Estudantes (Bundesschülerkonferenz) vai realizar um protesto próprio em 20 de novembro.
Em comunicado, a secretária-geral Amy Kirchhoff afirmou: “Apoiamos os apelos por um maior investimento na educação. Mas nos distanciamos dos protestos devido à falta de transparência”.
Ela também alertou que “não é garantido aos participantes que essas manifestações ocorrerão sem violência”. Segundo ela, a entidade se afasta dos organizadores, mas apoia “as reivindicações legítimas dos manifestantes”.
Receio de violência domina o debate político
A maior preocupação entre autoridades e setores da sociedade é que os protestos terminem em episódios de violência. Os organizadores condenam qualquer desvio nesse sentido, mas alguns grupos no Telegram ligados às mobilizações publicam conteúdos com tom menos pacífico.
No campo conservador, a avaliação é bem mais dura. Um deputado democrata-cristão especializado em segurança advertiu que “extremistas de esquerda” podem usar os atos para seus fins. Uma ala da juventude democrata-cristã em Berlin defendeu, inclusive, que o Exército alemão seja acionado para reforçar a segurança.
A revista Cicero, de viés à direita, usou a palavra “intifada”, de origem árabe e que significa literalmente “sacudir”. No contexto sociopolítico, porém, ela passa a indicar uma “revolta popular”. Do outro lado, representantes do Partido Verde e do partido de esquerda Die Linke criticam falas que tratam os jovens como criminosos em potencial.
Polícia alemã deve atuar com mais de mil agentes
Na Alemanha, a violência não costuma marcar manifestações, e a cultura de protesto é menos intensa do que na França. As frustrações dos jovens existem, mas não chegam ao mesmo patamar. O mesmo vale para os jovens de origem estrangeira.
Especialistas em movimentos juvenis e de protesto não esperam atos no estilo francês. Na França, onde também há protestos marcados para o sábado, cerca de 70 mil policiais devem acompanhar as manifestações em todo o país, número que reflete a preocupação com episódios violentos registrados em atos recentes.
Itália registra greves em mais de 50 cidades
Na sexta-feira (30), milhares de estudantes e trabalhadores saíram às ruas de toda a Itália por mais verbas para a educação e medidas contra a alta do custo de vida. Greves e atos contra o governo ocorreram em mais de 50 cidades, entre elas Roma e Milão, sob forte presença policial.
Os protestos vêm após semanas de mobilizações lideradas por estudantes, que montaram acampamentos e ocuparam escolas. A convocação partiu da Unione Sindacale di Base (USB), entidade menor que as três principais centrais sindicais do país. Ainda assim, estudantes e associações contrárias à chamada “economia de guerra”, expressão que descreve o aumento do custo de vida e a política geral da primeira-ministra Giorgia Meloni, aderiram ao movimento. “Baixem as armas e aumentem os salários”, repetem os estudantes, que ameaçam paralisar tudo.
Houve pequenos confrontos com a polícia, e cartazes com o rosto de Meloni foram queimados. O receio do governo vem da violência vista na semana anterior, quando atos que começaram pacíficos terminaram, por ação de uma minoria, com estabelecimentos destruídos e policiais atingidos por pedras.
Ao comentar o caso, a primeira-ministra afirmou: “Manifestar-se é um direito; destruir cidades, não”.
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