Christopher Garman, da Eurasia Group, diz que Lula precisa sinalizar ajuste fiscal para governar
O diretor-executivo da Eurasia Group, Christopher Garman, avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará sinalizar compromisso com a responsabilidade fiscal para garantir condições mínimas de governabilidade em seu quarto mandato.
A análise foi feita no programa WW, no domingo (26).
Para o especialista, o desafio econômico e o político estão diretamente ligados. Ele vê o ajuste das contas públicas como condição para que o governo consiga conduzir a agenda no Congresso.
Sem correção fiscal, câmbio e juros podem pressionar
“Se o presidente Lula não dá um sinal de correção dos rumos fiscais, não só vamos ter um câmbio mais desvalorizado, juros futuros em alta, como vai colocar dificuldades para o Banco Central reduzir juros”, afirmou Garman.
Na avaliação dele, a falta de sinais nessa direção deixaria o Banco Central sem espaço para cortar a taxa básica, num cenário de juros mais altos no mercado futuro.
Renda e emprego já pesam sobre a aprovação
O especialista lembrou que o eleitorado já mostra sinais de insatisfação. A renda real recuou 19% nos últimos três anos, e o desemprego está em torno de 5%.
Caso os estímulos fiscais e de crédito sejam retirados e a economia desacelere de forma mais profunda, Garman acredita que a aprovação de Lula tende a cair. “Um presidente com aprovação em queda, com o Congresso conservador e com todos os desafios institucionais, esse desafio fica exponencializado, fica maior ainda”, alertou.
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Nomes do PT do Nordeste e de Alckmin entram no radar
Garman disse que a ala do PT do Nordeste saiu fortalecida do resultado eleitoral. Nesse grupo, o nome de Camilo Santana (PT-CE) é cogitado para a Casa Civil.
Também circula a possibilidade de Geraldo Alckmin (PSB) assumir o Ministério da Fazenda, como forma de sinalizar uma correção de rumos no campo fiscal. Para o especialista, a fala de Lula não foi clara nessa direção, mas o vice-presidente estava no palco. “A fala do presidente Lula não foi muito clara nessa direção, mas o vice-presidente Geraldo Alckmin também estava no palco”, observou.
Garman também afirmou que governos pressionados por crises de confiança fiscal, econômica e financeira enfrentam um custo muito alto se optarem pela inação.
“Eu me surpreenderia se alguma correção fiscal não viesse nesse próximo mês”, concluiu Garman, que espera um primeiro movimento de ajuste no próximo mês.
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