Mesmo com 65% sem preferência, Gallup vê meninos à frente de meninas por 16% a 15%
A maioria das pessoas não tem preferência pelo gênero dos filhos, mas o percentual que gostaria de ter meninos é ligeiramente maior que o de quem prefere meninas. A conclusão é de um novo estudo do centro de pesquisas Gallup International, que entrevistou mais de 44 mil pessoas em 44 países entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025.
A pergunta central foi: “Imagine que você só pode ter um filho. Você preferiria que fosse um menino, uma menina ou o gênero é irrelevante?”. Ao todo, 65% disseram não fazer distinção. Já 16% escolheram meninos, enquanto 15% optaram por meninas. Outros 4% não souberam ou não responderam.
Preferência por meninos aparece em países da Ásia e da América Latina
As respostas mudam conforme a nacionalidade, o nível de educação, a condição econômica e o gênero de quem responde. Na Índia, 39% dizem que gostariam de ter um filho do sexo masculino. Equador, China e Reino Unido também registram percentuais elevados nessa preferência, com 24%, 24% e 21%, respectivamente.
Na Coreia do Sul, no Japão, na Espanha e em Bangladesh, a predileção maior é por meninas, com 28%, 26%, 26% e 23%. Nas Filipinas, o cenário é outro: 39% afirmaram não se importar com o gênero, o maior índice entre os países pesquisados.
Homens e mulheres divergem na escolha, e renda pesa
Entre os homens que escolheram algum gênero, a maioria preferiu meninos, com 20% contra 12% que citaram meninas. Entre as mulheres, a tendência se inverte: 19% preferem meninas, contra 12% que optaram por meninos.
Os meninos também lideram a preferência entre quem tem menos anos de estudo. Quanto maior a escolaridade, maior a chance de a pessoa não se importar com o sexo da criança. Nos países de maior renda média, a preferência por meninos é menor. Já nos países mais pobres, o gênero costuma pesar mais na decisão.
Normas culturais seguem fortes em regiões com menos recursos
Para a Gallup International, “enquanto o mundo está caminhando para maior igualdade de gênero nas preferências da família, fatores enraizados culturais e socioeconômicos continuam moldando as atitudes individuais”. A entidade acrescenta que “preferências tradicionais, particularmente por meninos, continuam fortes em algumas regiões, especialmente onde indicadores educativos e econômicos são menores”.
Michael Nitsche, presidente da Associação Gallup International, resume o quadro: “A pesquisa destaca tanto sinais encorajadores de progresso, quanto a persistência das normas culturais”. Para ele, “enquanto a maioria abraça a neutralidade de gênero, esforços específicos ainda são necessários para solucionar preconceitos persistentes.”
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