Gabriela Biló lança ‘Juízo Final’ com foco político no Rio Grande Sul

Gabriela Biló apresenta obra com análise política sobre Rio Grande Sul, expondo desafios jurídicos e registros visuais impactantes.

Cristiano, do podcast ‘Medo e Delírio em Brasília’, e a fotógrafa Gabriela Biló unem a estética sonora caótica e ácida do programa ao ‘instante decisivo’ da imagem no livro ‘Juízo Final’

Porto Alegre será palco de um encontro que une a fotografia jornalística rigorosa à crônica política irreverente neste sábado, dia 27.

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O evento marca em Porto Alegre (RS) o lançamento do livro “Juízo Final”, uma obra assinada pela fotojornalistaGabriela Biló e desenvolvida com Cristiano Botafogo e Pedro Daltro. A sessão de autógrafos está marcada para as 17h no Espaço 512 – na Rua João Alfredo, número 512 –, sendo gratuita até lá; após esse horário, haverá festa oficial começando às **20h**.

A iniciativa representa a chegada à capital gaúcha um projeto que já foi exibido por Rio, São Paulo e Belo Horizonte, consolidando – se como algo mais profundo do que apenas arte: é descrito pelos autores como “um manifesto estético” capaz de retratar o país através da experiência coletiva.

Do registro histórico ao julgamento jurídico

O livro “Juízo Final” constitui o segundo volume dessa parceria literária. O primeiro trabalho era intitulado “A Verdade Vos Libertará”, lançado em 2023; enquanto aquele se concentrava na escalada inicial da violência política durante a gestão anterior, este novo título mergulha nos desdobramentos dos eventos e no subsequente processo de responsabilização jurídica.

Mais do que apenas fotografias capturadas por Biló — fotógrafa premiada com Jabuti e World Press Photo ainda em 2024, além das curadorias feitas pelos apresentadores do podcast —, “Juízo Final” é uma experiência multimídia. A obra conta também com o projeto gráfico detalhado pelo artista visual Pedro Inoue.

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A arte como ferramenta contra revisões históricas

Os autores explicaram a complexidade da criação, explicando na entrevista para Brasil de Fato RS como conseguiram transpor elementos tão diferentes quanto áudios caóticos (do “Medo e Delírio”) e imagens estáticas sem perder urgência ou crítica mordaz.

“Não se trata apenas de fazer um livro”, explicou Cristiano Botafogo em trechos do bate – papo; “é uma organização que envolveu o arco narrativo geral. O primeiro volume tinha mais linguagem ‘de rua’, mas este segundo é bem mais sério.”

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Estrutura narrativa: profundidade sobre a zoeira. O novo título, com texto escrito majoritariamente por Gabriela Biló, possui prefácio assinado pelo Marcelo Rubens Paiva e foi organizado no processo editorial por Fernando Barros e Silva. A obra busca ser densa para desafiar qualquer tipo de revisionismo histórico.

Os criadores também abordaram como foram afetados ao saberem estar sob monitoramento estatal — um fato que surgiu após o aparecimento em processos da Polícia Federal (PF). Segundo Cristiano Botafogo, essa suspeita não alterou nada na curadoria do material ou nos textos finais; “não deixamos de fazer mais nenhuma coisa.”

O livro cumpre papel de tribunal?

“Consideramos sim”, afirmam os autores sobre a capacidade do trabalho servir como espécie de “tribunal da memória”. Eles argumentam que é fundamental mostrar todo e qualquer detalhe: desde áudios antigos criticando urnas até as contiguidades entre discursos dos apoiadores bolsonaristas no 8 de janeiro.

A obra visa justamente desmistificar quem ainda acredita ingenuamente em narrativas alternativas, mostrando o planejamento por trás das ações. Segundo eles, foi um processo complexíssimo; “não era só bravata.”

O impacto cultural na resistência democrática

“É muito importante”, concluíram os autores sobre a função do humor ou “estética do absurdo” — presente tanto nos memes quanto nas colagens —, pois ele ajuda a furar aquelas chamadas ‘bolhas informacionais’ que persistem mesmo após grandes eventos políticos no Brasil.

Embora admitam não conseguir mudar massivamente as pessoas de opinião rapidamente, veem valor nesse posicionamento progressista e à esquerda para chegar em ambientes onde outros veículos dificilmente conseguem entrar.