G7 define meta de reduzir dependência da China em minerais críticos e Brasil vê oportunidade
O acordo do G7 pode impulsionar o Brasil a se tornar um player chave nas cadeias produtivas globais de minerais críticos, atraindo investimentos e parcerias
O acordo firmado pelos líderes do G7 para diminuir a dependência da China em minerais críticos e terras raras foi interpretado no Brasil como uma oportunidade para o país expandir sua influência nas cadeias produtivas globais. Na quarta-feira, dia 17 de fevereiro de 2026, os integrantes do grupo definiram a meta de limitar a dependência de qualquer fornecedor único a menos de 60% até 2030, especificamente no que diz respeito a terras raras e ímãs permanentes.
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A ambição é que essa redução chegue a 50% “o mais rápido possível”. O plano inclui a coordenação de estoques estratégicos, diversificação dos fornecedores, reciclagem e mecanismos apoiados pela Agência Internacional de Energia.
Reação da China e Implicações Globais
A medida adotada pelo G7 tem como alvo direto a China, que atualmente exerce domínio sobre etapas cruciais da cadeia de suprimentos de terras raras, incluindo processamento e produção de ímãs permanentes. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores chinês defendeu seus controles sobre exportações de minerais críticos, afirmando que tais práticas estão em conformidade com normas internacionais.
Pequim criticou ainda a formação de blocos econômicos exclusivos, alegando que essa abordagem pode prejudicar o comércio global.
No contexto brasileiro, as autoridades enxergam esse movimento como uma janela de oportunidade para consolidar uma posição mais forte na cadeia produtiva. A análise sugere que a competição entre Estados Unidos, União Europeia, Japão e China por fontes alternativas de minerais críticos pode permitir ao Brasil exigir investimentos em áreas como beneficiamento, processamento e tecnologia local.
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Acordos em Andamento e Desafios Políticos
O Brasil está atualmente negociando acordos relacionados a minerais críticos com diversas potências globais, incluindo os Estados Unidos, União Europeia e Japão. As conversas com os norte-americanos estão mais avançadas; no entanto, ainda enfrentam desafios políticos internos.
O governo brasileiro ressalta que novos acordos precisam ter efeitos práticos para evitar repetições de memorandos de entendimento amplos, como os feitos anteriormente com Índia, Espanha e Coreia do Sul, os quais não resultaram em desdobramentos concretos na indústria.
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A proposta americana inclui menções à construção de capacidades de refino no Brasil, com financiamentos potenciais através de instituições financeiras ligadas ao governo dos EUA, como a DFC (Agência Americana de Financiamento ao Desenvolvimento) e o Exim Bank.
Esses recursos estariam vinculados a contratos futuros conhecidos como offtakes.
Cabe destacar que um ponto que gera preocupação dentro do governo é a expressão “first look”, referindo-se à prioridade dos Estados Unidos na análise inicial de projetos no setor mineral brasileiro. Essa interpretação levanta alertas sobre uma possível tentativa americana de garantir vantagens sem uma exclusividade formal.
Fortalecimento da Coordenação Estatal
A ala desenvolvimentista do governo vê o movimento do G7 como um reforço à ideia de que o Estado brasileiro deve desempenhar um papel mais ativo na coordenação do setor mineral. Esse grupo defende que o Brasil deve utilizar o crescente interesse internacional por terras raras e outros minerais estratégicos para condicionar parcerias a compromissos relacionados à industrialização e transferência tecnológica.
Essa perspectiva também se alinha ao debate em curso no Congresso sobre uma política nacional para minerais críticos. O texto aprovado pela Câmara dos Deputados está agora sob análise no Senado e propõe aumentar o papel do governo na definição de projetos prioritários além de criar mecanismos para estimular a agregação de valor no país.
Por fim, a estratégia adotada pelo Brasil coincide com as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Cúpula do G7 em Evian-les-Bains, França. Lula enfatizou a necessidade dos países ricos em minerais críticos participarem das etapas mais valiosas da cadeia produtiva por meio da industrialização local e transferência tecnológica.
Entretanto, há inquietações no governo sobre ações isoladas realizadas por alguns agentes do setor mineral que buscam parcerias diretamente com governos estrangeiros sem prévia coordenação com o Itamaraty.