Brasil cai sete posições e ocupa 65ª colocação no Ranking Mundial de Competitividade de 2026

A queda do Brasil no ranking evidencia desafios estruturais na economia, como altas taxas de juros e dificuldades em atrair investimentos

19/06/2026 15:18

3 min

Carla Beni, conselheira do Corecon-SP
Carla Beni, conselheira do Corecon-SP

O Brasil registrou uma queda significativa no Ranking Mundial de Competitividade de 2026, caindo sete posições e agora ocupando a 65ª colocação entre as 70 economias avaliadas. Este resultado marca o pior desempenho do país em anos, colocando-o entre as nove últimas economias, ao lado de nações como Nigéria, Mongólia e Venezuela.

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Fatores que Impactam a Competitividade

Em entrevista ao CNN Money, Carla Beni, conselheira do Corecon-SP, analisou os motivos por trás dessa queda. Ela destacou que a redução na competitividade reflete problemas estruturais que persistem na economia brasileira. O alto custo do capital, as taxas de juros elevadas e as dificuldades para atrair investimentos são fatores que exercem forte impacto nesse cenário.

Além disso, Beni mencionou obstáculos históricos, como a barreira linguística, visto que o Brasil é um país de língua portuguesa em um contexto global majoritariamente anglófono, e as deficiências na educação financeira da população.

O relatório referente ao ranking aponta uma deterioração nos quatro pilares avaliados: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. A trajetória recente da taxa Selic é um dos elementos que ajudam a explicar essa realidade.

Durante a pandemia, a taxa básica de juros foi reduzida para 2% ao ano, mas subiu rapidamente para 13,5% em um período de apenas 18 meses. Muitas empresas utilizaram esse crédito acessível para enfrentar a crise sanitária e agora se encontram na necessidade de renegociar suas dívidas em um cenário de juros muito mais altos.

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Implicações para o Setor Público e Infraestrutura

Esse aumento nas taxas resultou em um crescimento do endividamento e da inadimplência das empresas, comprometendo sua capacidade de investimento. Outro aspecto relevante mencionado por Beni é o peso significativo do serviço da dívida pública nas contas do governo.

Apenas 0,3% do orçamento federal é destinado à ciência e tecnologia, enquanto cerca de 46% é direcionado ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Essa situação limita os investimentos em áreas estratégicas essenciais para melhorar a competitividade do Brasil.

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A restrição orçamentária também impacta negativamente os investimentos em infraestrutura, que são fundamentais para o ranking. Beni citou o PAC-3 (Programa de Aceleração do Crescimento), que teve recursos remanejados para atender às emendas parlamentares.

A economista observou que o crescimento expressivo dessas emendas nas últimas décadas intensificou a competição por recursos entre os poderes Executivo e Legislativo, dificultando o planejamento estratégico a longo prazo e comprometendo a execução de projetos estruturantes.

Pontos Positivos no Cenário Competitivo

Apesar do desempenho negativo no ranking global, o Brasil ainda apresenta algumas vantagens competitivas. O país se destaca pela capacidade de atrair investimento estrangeiro, pelo potencial nas energias renováveis e por sua posição favorável em subsídios públicos, onde ocupa a quinta posição mundial.

Beni também mencionou os avanços na educação financeira, que agora faz parte do currículo escolar tanto em instituições públicas quanto privadas. Embora os efeitos dessa mudança não sejam imediatos, há expectativa de que isso contribua para formar uma população mais preparada financeiramente e gere impactos positivos sobre a competitividade brasileira nos próximos anos.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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