Fundos imobiliários veem investidores experientes saltarem de 13% para 60%, diz estudo

Mesmo com a Selic a 14,50% ao ano, a renda mensal e a aposentadoria seguem como principais razões para manter FIIs na carteira.

Fundos imobiliários

A maturidade dos investidores brasileiros de Fundos Imobiliários (FIIs) aumentou de maneira significativa entre 2020 e 2026, mesmo com a predominância de juros elevados. Pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, Clube FII e Tree Inteligência Financeira, obtida com exclusividade pelo Broadcast, mostra que a parcela de cotistas com mais de cinco anos de experiência passou de 13% para 60% no período.

Na direção oposta, os investidores com até um ano de atuação caíram de 36% para 4%. O levantamento foi realizado em junho de 2026 com investidores da base do Clube FII. Mesmo com a Selic em 14,50% ao ano, os FIIs permanecem associados à geração de renda recorrente e à construção patrimonial de longo prazo.

Investidores têm mais recursos e diversificam carteiras

A evolução da experiência veio acompanhada de maior capacidade financeira. Entre outubro de 2024 e junho de 2026, a fatia de investidores com mais de R500 mil aplicados em FIIs cresceu 37% e chegou a 37% do total. Outros 32% informaram ter entre R 100 mil e R 500 mil investidos, enquanto os grupos com aportes menores perderam participação.

Para Fabio Tadeu Araújo, CEO da consultoria Brain, há diferenças entre os perfis de porte, conhecimento e objetivos. “O investidor que aplica um valor mais baixo busca rentabilidade, enquanto aquele com maior renda, já está se preocupando com a gestão do fundo”, afirmou.

O fluxo de renda mensal é apontado por 94% dos entrevistados como o principal motivo para continuar no segmento. A isenção de Imposto de Renda sobre os proventos aparece para 77%, e 52% valorizam a possibilidade de investir no setor imobiliário sem lidar com a burocracia de um imóvel físico.

Para 97%, os FIIs fazem parte da estratégia de aposentadoria.

A diversificação também avançou. Cada investidor possui, em média, 18 fundos na carteira, alta de 84,5% em relação à média de 9,7 fundos registrada em 2020. A administração direta das posições é adotada por 97% dos participantes, sem o auxílio de assessor de investimento ou gerente bancário.

Leia também

Preferências, gestoras mais citadas e riscos

Fabio Tadeu Araújo disse que a gestão própria nunca ficou abaixo de 90% nos seis levantamentos feitos desde 2020 e atingiu o maior porcentual na pesquisa deste ano. Segundo ele, o custo é o principal fator para essa escolha, seguido pela simplicidade de investir em um FII. “Se é simples, por que vou pagar para um gestor fazer isso?”, questionou.

Os fundos de recebíveis imobiliários estão presentes em 67% das carteiras e têm 67% de atratividade para novos aportes. Os galpões logísticos aparecem em 66% das carteiras e lideram a intenção de investimento, com 75%. Depois vêm os fundos híbridos, com 57%, shopping centers, com 55%, lajes corporativas, com 52%, e fundos de fundos, com 28%.

Entre as gestoras, Kinea Investimentos foi citada por 63% dos entrevistados, seguida por BTG Pactual (30%), Pátria (29%), XP (16%) e HedgeCSHG (13%). Os fundos mais presentes nas carteiras são XPML 11 (23%), BTLG 11 (21%) e TRXF 11 (18%.

Apesar da resistência do segmento, a percepção de risco aumentou. O ambiente político passou a ser apontado como fator de forte redução da disposição para investir por 70% dos cotistas em 2026, ante 10% em 2024. O risco de mercado foi citado por 85%, acima de inadimplência (78%) e vacância (75%.

A amostra é formada majoritariamente por homens, que representam 89% dos participantes. Baby Boomers (62 a 80 anos) são 42%, enquanto a Geração X (46 a 61 anos) corresponde a 38%. A maior concentração regional está no Sudeste, com São Paulo (43%), Rio (12%) e Minas (8%.

Aposentados representam 22%, engenheiros, 15%, profissionais de TI, 8%, servidores públicos, 7%, e administradores, 7%. O mercado reúne cerca de 3,2 milhões de investidores, conforme o número de CPFs cadastrados na B 3.