Rodrigo Moliterno diz que risco fiscal está no foco do “trade eleitoral” em 2026

A volta dos investidores estrangeiros impulsionou o Ibovespa, mas juros e câmbio podem reagir se o ruído político elevar a incerteza fiscal.

05/09/2026 09:12

3 min

Painel de ações de empresas que compõem o Ibovespa
Painel de ações de empresas que compõem o Ibovespa

O Ibovespa terminou a semana em alta, apoiado pela volta dos investidores estrangeiros e pela reação do mercado às movimentações do cenário eleitoral para a disputa presidencial. Em entrevista ao CNN Money, Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos, afirmou que o risco fiscal é o principal fator por trás do chamado “trade eleitoral”.

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Na avaliação do especialista, a percepção sobre as contas públicas influencia diretamente a disposição dos investidores a manter recursos no país. A melhora do índice ocorreu em meio a novas pesquisas eleitorais e à expectativa de possíveis mudanças na condução fiscal brasileira.

Ruído político ainda não pressionou juros e câmbio

Rodrigo Moliterno explicou que o aumento do ruído político tende a elevar a insegurança dos investidores. Com mais incerteza, o mercado passa a exigir um prêmio maior para aplicar recursos no Brasil.

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Até agora, porém, esse efeito não apareceu de maneira expressiva nas taxas futuras de juros. “A gente tem observado as taxas futuras de juros ainda relativamente estáveis, não abriram, estão até recuando”, afirmou.

O cenário pode mudar caso o ruído político passe a colocar em dúvida decisões do STF ou seja associado ao governo atual. Nesse caso, a pressão poderia atingir tanto os juros quanto a taxa de câmbio.

Pesquisas eleitorais influenciam reação do Ibovespa

A movimentação do Ibovespa, que chegou a subir quase 10 mil pontos em um único dia, foi relacionada por Moliterno a pesquisas que mostraram Flávio Bolsonaro mais próximo de Lula, com possibilidade de empate técnico.

O especialista lembrou que, cerca de 15 a 20 dias antes, instituições como JP Morgan e Morgan Stanley tinham reduzido a recomendação para o Brasil. A decisão ocorreu justamente por causa das dúvidas em torno da situação fiscal.

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Para Moliterno, esse é o núcleo do “trade eleitoral”. O mercado enxerga o atual governo como mais favorável ao aumento dos gastos públicos, enquanto coordenadores da campanha de Lula chegaram a tratar a questão fiscal como um tema de menor relevância.

Uma eventual alternância de poder, acompanhada por mudança na condução das contas públicas, foi apontada como a principal explicação para a reação positiva do mercado. A possibilidade de alteração na política fiscal passou a alimentar as expectativas dos investidores.

Gestores buscam proteção no mercado de derivativos

O cenário de incerteza também alterou as estratégias dos gestores de renda variável. De acordo com Rodrigo Moliterno, o mercado de derivativos ganhou movimentação com a procura por instrumentos capazes de reduzir a exposição ao risco.

Entre as operações citadas estão a compra de dólar futuro e de opções de venda sobre o Ibovespa. Essas posições permitem que os investidores se protejam de uma eventual piora no ambiente político ou fiscal.

Investidores internacionais também montavam posições no EWZ — principal ETF brasileiro — e na Petrobras por meio de opções. A estrutura das operações limitava a exposição ao risco e indicava uma expectativa de que o Ibovespa alcançasse 200 mil pontos até o final do ano.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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