Fonteles, cotado para a Fazenda de Lula, atrai empresas de terras raras e hidrogênio verde ao Piauí
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), aparece entre os cotados para comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele aposta na atração de capital privado para pesquisa de terras raras, produção de hidrogênio verde e obras de infraestrutura, e a CNN apurou que ele sinalizou a aliados que aceitaria um cargo no governo federal se o presidente o convidar.
Reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, Fonteles ganhou projeção nacional ao participar do núcleo da campanha de Lula no segundo turno. Antes de governar o estado, a partir de 2023, ele chefiou a Secretaria da Fazenda estadual e presidiu o Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal). É formado em matemática e tem mestrado em economia matemática.
Piauí tenta atrair empresas de terras raras
A principal frente recente do governo envolve as terras raras, um conjunto de 17 elementos químicos empregados na fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de alta tecnologia. Novos levantamentos geológicos apontaram potencial para esses minerais em regiões diferentes do território piauiense, e isso despertou o interesse de empresas estrangeiras.
Uma delas é a canadense Origen Resources, que faz trabalhos exploratórios no projeto Picos, no interior do estado. Em setembro, a mineradora disse ter terminado o mapeamento geológico detalhado de uma área com sinais de mineralização, além da primeira etapa de coleta de 328 amostras de solo.
Também avançou em levantamentos geofísicos aerotransportados, que ajudam a entender as rochas e a planejar as próximas campanhas.
No mesmo mês, a Origen decidiu avançar na compra de uma fatia de 70% no projeto Campo de Cima, que cobre 33.075 hectares entre o Piauí e a Bahia. Estudos preliminares sugerem depósitos de terras raras ligados a argilas de adsorção iônica, um modelo geológico importante para elementos pesados usados em tecnologia industrial e em aplicações de defesa.
Ainda assim, os projetos seguem na fase de pesquisa, e as ocorrências precisam de novas investigações para definir a extensão dos depósitos, a concentração dos minerais e a viabilidade econômica de uma eventual operação comercial.
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O Serviço Geológico do Brasil (SGB) também olha para o potencial mineral do estado. Em levantamento divulgado em 2025, pesquisadores encontraram 39 novas ocorrências de rochas ligadas a fosfato, urânio e terras raras na borda oriental da Bacia do Parnaíba.
Em novembro do ano passado, Fonteles se encontrou em Brasília com a então diretora-presidente do SGB, Sabrina Góis, para tratar de parcerias que ampliem o mapeamento geológico piauiense. Na ocasião, ele demonstrou interesse em conhecer melhor o potencial mineral do estado e pediu apoio técnico à instituição.
A ideia é reunir dados geológicos que reduzam os riscos das fases iniciais da pesquisa e atraiam novas empresas para o setor.
Hidrogênio verde ainda é aposta de longo prazo
Outra vitrine da política econômica é a tentativa de transformar o Piauí em polo de hidrogênio verde, usando a energia solar e eólica disponível no estado. O gás é obtido pela separação das moléculas de água em um processo chamado eletrólise, feito com eletricidade de fontes renováveis.
Ele pode servir à fabricação de fertilizantes e combustíveis industriais e substituir insumos fósseis em etapas da siderurgia.
Para atrair fábricas desse setor, o governo quer usar a ZPE (Zona de Processamento de Exportação) de Parnaíba, no litoral piauiense, com foco no mercado interno e na exportação de derivados como a amônia verde. A base legal veio em 2024, quando Fonteles sancionou a Lei nº 8.459, que criou a Política Estadual do Hidrogênio Verde.
O texto prevê instrumentos de incentivo à cadeia produtiva, à pesquisa e à atração de investimentos em infraestrutura energética.
O maior anúncio até agora foi o da espanhola Solatio, que propôs investir R$ 27 bilhões em uma unidade de produção de hidrogênio e amônia verdes em Parnaíba. A empresa recebeu autorização para se instalar em 2025 e chegou a iniciar obras preliminares, mas enfrentou entraves ambientais e de infraestrutura que atrasaram o cronograma. Em outubro de 2026, o governo estadual informou avanços nos estudos para uma planta-piloto de hidrogênio líquido na mesma cidade.
A viabilidade comercial em larga escala ainda é questionada. Os custos de produção são altos, a infraestrutura exigida é específica e não há demanda consolidada. Por isso, o combustível segue como aposta de médio e longo prazo para descarbonizar a indústria, e os investimentos dependem de avanços tecnológicos, queda de custos e contratos de fornecimento que garantam retorno aos projetos.
Porto, água e rodovias entram no plano de concessões
A estratégia também passa por logística e pela presença do setor privado em serviços públicos. Em junho de 2026, o Porto Piauí, em Luís Correia, começou uma nova etapa operacional para exportar minério de ferro à China. A operação está ligada à produção da Lion Mining, instalada em Piripiri, e cria uma saída para commodities do estado sem depender de terminais de outras unidades da Federação.
Fonteles também conduziu a concessão dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada. Na rodovia, o governo ampliou uma PPP (parceria público-privada) no sul do estado, incluindo mais de 307 quilômetros de estradas no contrato da concessionária CS Grãos do Piauí.
As obras se concentram em corredores de produtos agrícolas, sobretudo na região dos Cerrados, onde a expansão da safra pede mais estrutura de escoamento.
Em balanço apresentado em fevereiro deste ano, o governo estadual afirmou que o Piauí atraiu 120 empreendimentos desde 2023, entre projetos já instalados e em implantação, com investimentos associados de R$ 44,7 bilhões.
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