Flávio Dino bloqueia R 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto por desvio de emendas

Flávio Dino determina bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto, reforçando a investigação sobre desvio de emendas parlamentares na Operação Transparência.

O ministro do STF, Flávio Dino, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu bloquear o patrimônio de políticos sem mandato que estão sendo investigados por um esquema de desvio de emendas parlamentares. Essa ação ocorre mesmo com a manifestação contrária da PGR (Procuradoria – Geral da República.

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No caso do presidente nacional do PL (Partido Liberal), Valdemar Costa Neto, e do ex – presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a PGR defendeu a continuidade das investigações realizadas pela Polícia Federal e o rastreamento dos recursos públicos suspeitos.

Dino destacou que a Procuradoria se opôs ao deferimento das medidas cautelares, mas reconheceu a importância de prosseguir com as apurações e o rastreamento dos valores alegadamente desviados. As investigações são parte da Operação Transparência, que investiga um suposto esquema de direcionamento de emendas parlamentares por indivíduos sem mandato eletivo, utilizando a estrutura administrativa da Câmara dos Deputados.

Bloqueio de bens e documentos requisitados

No caso de Valdemar Costa Neto, o ministro determinou a indisponibilidade de até R 119,2 milhões em bens, valor referente às 21 emendas que teriam sido direcionadas irregularmente pelo presidente do PL. Apesar de não ter mandato parlamentar, ele foi alvo das medidas cautelares.

A decisão também suspendeu a execução das emendas indicadas pela PF e solicitou à Câmara o envio de toda a documentação relacionada à tramitação desses recursos.

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A investigação inclui planilhas, mensagens de celular e diálogos entre servidores da Câmara que sugerem a participação direta de Valdemar na definição dos recursos destinados aos municípios. Entre as conversas analisadas pelos investigadores está uma pergunta: “Fechou o valor do Valdemar?”, considerada pela PF como um indício da atuação do dirigente partidário na distribuição das verbas.

Outro aspecto da investigação busca esclarecer se os deputados oficialmente designados como autores das emendas tinham ciência do suposto esquema ou se seus nomes foram utilizados sem autorização. A PF também considera a possibilidade de que alguns parlamentares não soubessem que estavam formalmente associados às indicações.

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Defesas e reações dos envolvidos

Em entrevista à CNN Brasil, Valdemar Costa Neto negou qualquer irregularidade nas suas indicações de emendas. Ele argumentou que é natural para um líder partidário participar da articulação política da bancada. Sua defesa divulgou uma nota afirmando que a decisão de Dino criminaliza atividades político – partidárias e sustenta que não há indícios concretos de fraude ou apropriação indevida de recursos públicos.

A situação é semelhante no caso de Eduardo Cunha, que também afirmou que sua atuação política sempre respeitou os limites legais. Além disso, as investigações têm repercussões sobre o atual presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos – PB), cuja participação na tramitação das emendas investigadas está sob análise.

Após as decisões judiciais serem divulgadas, Hugo Motta declarou que colaborará enviando as informações requisitadas e reafirmou seu compromisso com a transparência e legalidade nos procedimentos administrativos. Contudo, ele classificou a decisão como uma “indevida intervenção judicial”.

A posição da PGR se tornou um argumento central nas defesas tanto de Valdemar quanto de Cunha, que alegam falta de elementos suficientes para justificar os bloqueios patrimoniais antes da conclusão das investigações.

Dino considerou necessário o bloqueio dos bens para garantir um possível ressarcimento ao erário caso as suspeitas sejam confirmadas ao final das apurações.