Flávio Bolsonaro e Vorcaro: Áudio bomba expõe crise na candidatura

Repercussão da Reportagem Sobre o Áudio de Flávio Bolsonaro
Um áudio que relaciona o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio, com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso por fraudes financeiras, gerou grande impacto na imagem de Flávio dentro da extrema direita. A reportagem do Intercept Brasil expôs o vínculo entre os dois e o pedido de Flávio para que Vorcaro financiasse uma cinebiografia do pai.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A situação levanta questionamentos sobre a confiança que Flávio tem entre a classe política.
A cientista política Priscila Lapa, em entrevista ao É de Manhã da Rádio Brasil de Fato, avaliou que as revelações de quarta-feira (13) representam uma crise na candidatura de Flávio. “Alguns integrantes do núcleo duro da campanha do senador se sentiram surpresos, traídos, porque sabiam que poderia ter algum relacionamento, porque está ficando cada vez mais evidente que essa figura transitou por todos os setores da República, mas não no nível do que foi revelado ontem”, afirmou.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A gravidade do áudio reside na exposição de uma relação que vai além do simples diálogo entre os dois.
Lapa destacou que a relação estabelecida entre Flávio e Vorcaro impacta a percepção de confiabilidade do político. “Têm relações estabelecidas entre os dois e isso ficou muito evidenciado. Então tem esse primeiro efeito da relação de confiança da classe política, de entender agora se ele é uma pessoa confiável, uma vez que, inclusive, ontem pela manhã, ele nega veementemente e, à tarde, ele se vê tendo que publicar uma nota confirmando e dizendo que de fato aquilo”, ressaltou a cientista política.
Leia também
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O episódio representa uma crise importante na candidatura do senador, que até então contava com uma onda positiva de aceitação. “Ele vinha surfando numa onda positiva de reconstituir o ânimo do eleitorado bolsonarista por ter um candidato puro-sangue, digamos assim, que representa o bolsonarismo, que dá continuidade às ideias bolsonaristas, mas ao mesmo tempo tentando se mostrar como uma figura renovada e que dialoga.
E parece que sua candidatura, sim, foi muito bem aceita por alguns integrantes do setor produtivo. As pesquisas de opinião davam conta disso, de que ele vinha crescendo inclusive entre o eleitorado, digamos assim, não bolsonarista clássico, entre aquele eleitorado de direita, mas que até então ainda não tinha feito a sua opção”, ponderou.
A disputa na direita se acirrou com o movimento de outros candidatos de direita fazendo cobranças públicas a Flávio. Priscila Lapa previu que isso seria previsível, pois esses candidatos sempre buscam oportunidades de crescimento. “Ninguém é candidato apenas por ser”, afirmou. “Há claramente uma tentativa de demarcação de espaços dentro desse campo da direita.
A gente costuma sempre generalizar, fala da direita, da esquerda, do eleitorado, da classe política, mas sempre tem nuances e recortes dentro desses grandes grupos. E a direita se mostrou hoje um campo prevalente na política”.
A cientista política também mencionou que o discurso com o qual a direita se firmou no Brasil foi o de combate à corrupção, que agora é questionado diante do episódio envolvendo Flávio. “É uma agenda muito clássica da direita dizer que busca a lisura, que busca as relações corretas dentro da gestão pública, e aí de repente você vê alguém que se parece próximo de alguém que está sendo investigado, que a gente nem sabe de tudo, do tamanho do que pode acontecer ainda nessas revelações relacionadas ao Banco Master. É uma oportunidade que todos vão tentar capitalizar, tentar fazer essa diferenciação do ‘ele versus nós’, desse elemento de comparação que agora o eleitor vai ter de opções dentro da direita: um que está totalmente implicado com Daniel Vorcaro e outros que querem dizer que não estão”, explicou.
Em relação ao silêncio de Nikolas Ferreira (PL-MG), Priscila Lapa acredita que se deve ao “telhado de vidro”. “Percebeu que há uma reticência, uma nuvenzinha pairando em torno dele, exatamente pelas relações anteriores do Daniel Vorcaro com o grupo Lagoinha, com relações familiares próximas ao Nikolas que chegam a atingir, se a gente for colocar numa matemática, num xadrez político, a criação de um discurso.
Pode não haver nenhuma confirmação, neste momento, de nada escuso envolvendo o Níkolas e o Daniel Vorcaro, mas existe uma narrativa possível de ser criada pelas origens das relações entre essas duas figuras”, avaliou.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



