FGV alerta para queda drástica na área segurada no Brasil e riscos para o seguro rural em 2026

A FGV aponta uma queda alarmante na área segurada no Brasil, com implicações sérias para o seguro rural em 2026. Quais os riscos dessa redução para o setor?

11/06/2026 20:26

3 min

FGV alerta para queda drástica na área segurada no Brasil e riscos para o seguro rural em 2026
(Imagem de reprodução da internet).

Queda na Área Segurada no Brasil

A área segurada no Brasil apresentou uma drástica redução, passando de 13,45 milhões de hectares em 2021 para apenas 3,2 milhões de hectares em 2025. Um levantamento realizado pelo Observatório do Crédito e Seguro Rural do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (Fundação Getúlio Vargas) indica que seriam necessários R$ 2,37 bilhões para recuperar essa diferença em 2026.

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O estudo ressalta que, se uma política de fortalecimento da subvenção da soja for implementada, aumentando a subvenção de 20% para 30%, esse valor pode aumentar para R$ 2,57 bilhões.

No ano de 2021, quando o Brasil alcançou o recorde de área segurada, a subvenção foi de R$ 1,13 bilhão. No entanto, cinco anos depois, o orçamento executado sofreu uma redução de 50%, caindo para aproximadamente R$ 565 milhões.

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Cortes Orçamentários em 2026

O levantamento da FGV foi divulgado no mesmo mês em que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou a destinação de R$ 1,1 bilhão ao Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR). Este representa o segundo contingenciamento consecutivo, já que em 2025 o bloqueio foi de R$ 445 milhões.

De acordo com a avaliação do estudo da FGV Agro, o bloqueio de 2026 é considerado um “segundo grande choque consecutivo”.

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Desde 2025, as ações de contingenciamento e passivo pendente do PSR já somam R$ 1,04 bilhão. Os pesquisadores veem esse montante como “um valor expressivo que evidencia perda de confiança e risco institucional do programa”.

A Importância do Seguro Rural

Os pesquisadores afirmam que o bloqueio deste ano vai além de um ajuste fiscal de curto prazo. Para eles, essa situação consolida uma sequência de instabilidade econômica que compromete a eficácia do programa, considerado “o principal instrumento brasileiro de transferência de riscos agropecuários”.

O estudo argumenta que o principal desafio do seguro rural atualmente não é mais climático, mas sim orçamentário.

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A previsibilidade orçamentária é vista como uma condição essencial para o funcionamento do mercado segurador e para a coordenação entre produtores, seguradoras, resseguradoras, cooperativas, bancos e governo. O Observatório destaca que, em meio a mudanças climáticas e eventos extremos, a instabilidade agrícola está aumentando, o que demanda um aumento nos investimentos em programas de seguro, uma postura que contrasta com a adotada pelo Brasil.

A pesquisa ainda aponta que essa situação ocorre em um momento em que o setor agropecuário enfrenta um aumento da inadimplência do crédito rural, crescimento das recuperações judiciais, discussões sobre renegociação de dívidas, maior probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño e aperfeiçoamentos regulatórios do Proagro que restringiram o acesso de parte dos produtores ao programa.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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