Festival Cine Expressão promove audiovisual periférico no DF

Festival Cine Expressão celebra a diversidade periférica no audiovisual brasileiro, impulsionando debates sobre identidade e cultura local até 2026.

Praça do Cidadão, em Ceilândia, será palco do Festival Cine de Expressão

O Distrito Federal sediará entre os dias 16 e 18 de julho a terceira edição do Festival Cine de Expressão. O evento gratuito visa fortalecer o audiovisual periférico brasileiro e promover um amplo debate sobre produções feitas por pessoas das periferias nacionais.

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Com o tema “O Território como Tela”, que reúne cinema, cultura, formação e encontro comunitário na Praça do Cidadão, em Ceilândia— região administrativa da capital federal —, há uma grande expectativa pela mostra cultural no DF.

Diversidade nas inscrições: foco feminino e negro

A organização divulgou dados detalhados dos filmes inscritos para esta 3ª edição. No total foram recebidos mais de 261 trabalhos; entre eles, quase a metade se enquadra nos gêneros ficção (com participação de 24,2%), documentários (representando 19,2%) ou dramas (cerca de 17,2%.

Os números apontam um forte protagonismo das mulheres na produção audiovisual periférica do país. Segundo os organizadores, o percentual de obras realizadas por diretoras é altíssimo: são responsáveis por 84,7% da mostra.

Além disso, há uma representatividade notável em relação à raça e identidade dos criadores. Os dados mostram que filmes feitos por pessoas negras somaram 83,5%, seguidos pela participação LGBT+ com índices de 78,5%. O grupo indígena também contribuiu significativamente para a programação total (16,5%), além de serem contabilizados cerca de 20 filhos selecionados entre todos esses grupos demográficos importantes no cinema brasileiro atual.

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Mostras competitivas definem o melhor filme

Os vinte curtas – metragens escolhidos serão exibidos através da Mostra Competitiva principal ou outras seções temáticas do festival. A mostra mais concorrida reúne quinze títulos produzidos em diversos estados brasileiros: Distrito Federal, Goiás, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Paraíba, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Nesta competição centralizada por um júri oficial, três obras receberão prêmios individuais com valor totalizando R 3 mil cada uma das premiações principais. Já a programação também conta com duas mostras específicas que enriquecem o debate cinematográfico localmente realizado no DF.

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Mostra Ceilândia recebe filmes mais recentes

A Mostra Ceilândia destaca cinco trabalhos produzidos em 2025 dentro dos limites do Distrito Federal. Entre os títulos exibíveis estão Ludmilla, Memórias Submersas, Curralin e Madro. O melhor filme desta seção será determinado por votação popular junto ao júri público participante da edição de julho.

O prêmio para a Melhor Filme na mostra ceilandense é um crédito especial: R 5 mil destinado à locação geral de equipamentos audiovisuais pelos vencedores. Por fim, o circuito cultural se completa com uma Mostra Paralela que apresenta dois filmes convidados importantes no cenário nacional:

“A última noite da rádio”, dirigido por Augusto Borges; e “De Codó a Ceilândia”, obra do Gu da Cei.”

Cultura como ferramenta de resistência

Para Larô Gonzaga, coordenadora – geral do festival Cine de Expressão, mais do que apenas espaços para exibição cinematográfica. Ela afirma que este evento funciona “como uma ferramenta de resistência, afirmativa cultura [e] fortalecimento das narrativas produzidas fora dos grandes centros […]”.

Antônio de Pádua, outro organizador envolvido com o projeto em geral, reforça esse propósito ao explicar os objetivos desta edição: “O objetivo é seguir fortalecendo a cultura produzida nas periferias”. Ele enfatiza ainda que se trata da ampliação gratuita e acessível dessas atividades nos próprios locais públicos.

A programação não fica restrita às telas; ela também contará com debates abertos para realizadores renomados. O público poderá participar de rodas de conversa sobre cinema e territórios periféricos na Praça do Cidadão. Além disso, haverá uma Feira de Quebrada completa no local, juntamente com praças alimentícias dedicadas à culinária regional em várias regiões administrativas do DF.”