FecomercioSP alerta sobre alta rotatividade de 47,3% no comércio atacadista paulista em 2026

A alta rotatividade no comércio atacadista paulista gera preocupações entre empresários, que enfrentam custos crescentes e desafios na retenção de talentos.

FecomercioSP: custo para reter mão de obra preocupa atacadistas

A rotatividade de funcionários no comércio atacadista paulista atinge níveis alarmantes em 2026, com uma taxa de turnover que subiu para 47,3%. Esse dado foi revelado em um estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP.

A pesquisa aponta que a situação atual gera preocupação entre os empresários, que enfrentam custos crescentes devido à alta rotatividade.

Nos últimos três anos, o índice aumentou consideravelmente, passando dos 45% registrados anteriormente. O presidente do Conselho de Comércio Atacadista da FecomercioSP, Ronaldo Jamar Taboada, explica que esse aumento reflete a dinâmica atual do mercado de trabalho paulista, caracterizado por baixo desemprego e maior número de vagas do que candidatos qualificados.

Nesse contexto, os trabalhadores têm migrado frequentemente entre empresas em busca de melhores salários e benefícios.

Impactos da alta rotatividade

A alta taxa de rotatividade não apenas eleva os custos diretos das empresas com recrutamento e treinamento, mas também gera um impacto mais sutil: o tempo necessário para que novos colaboradores atinjam plena produtividade. De acordo com Taboada, essa transição é crucial no setor atacadista, onde o conhecimento sobre produtos, fornecedores e clientes desempenha um papel fundamental.

“Acompanhar a taxa de rotatividade é essencial porque nos revela tanto o aquecimento do mercado quanto os custos para as empresas”, afirma Taboada. Ele destaca que a perda de capital humano, como conhecimento tácito e relacionamentos estabelecidos, representa um desafio significativo para os negócios.

Isso ocorre especialmente em um setor onde a familiaridade com o mix de produtos e a carteira de clientes é vital.

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Por outro lado, Taboada ressalta que o pleno emprego é um motivo de celebração. Contudo, ele alerta que a dificuldade em reter e encontrar profissionais qualificados tornou – se um gargalo para o crescimento do setor. Para enfrentar esses desafios, sugere investimentos em gestão de pessoas, planos de carreira e ambientes de trabalho atraentes.

Rotatividade por setores

O estudo da FecomercioSP analisou 11 atividades diferentes no comércio atacadista e constatou que oito delas apresentaram aumento na rotatividade em junho de 2026 comparado ao mesmo mês em 2023. Os setores mais afetados incluem eletrônicos, informática e equipamentos pessoais, alimentos e bebidas, além de produtos farmacêuticos e itens de higiene pessoal.

Cada um desses segmentos registrou uma alta média de 4,6 pontos percentuais.

Em contrapartida, algumas áreas mostraram uma leve diminuição na rotatividade. Papel e resíduos tiveram uma queda de 2,8 pontos percentuais; tecidos, vestuário e calçados apresentaram redução de 2,5 pontos; enquanto máquinas para uso comercial e industrial diminuíram em 2,2 pontos percentuais.

Adicionalmente, a demanda crescente por mão de obra qualificada no setor médico hospitalar contribuiu para uma taxa de rotatividade inferior ao restante do mercado. Essa categoria apresentou um turnover estimado em 32%, cerca de 15 pontos percentuais abaixo da média geral.

O indicador nesse segmento se manteve próximo à estabilidade nos últimos anos.