Fachin: Justiça Itinerante é Obrigação do Estado para com a População

Justiça itinerante: STJ busca ampliar o acesso à lei! Edson Fachin defende atuação do Judiciário para além dos centros, com foco na Ilha do Marajó.

(Imagem de reprodução da internet).

Fachin Defende Expansão da Justiça para Além dos Centros

Em uma 3ª feira (5.mai.2026), o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Fachin, apresentou sua visão sobre a necessidade do Judiciário se tornar mais acessível à população. A declaração ocorreu durante a abertura do seminário “Caminhos da Cidadania: A Atuação da Justiça Itinerante na Prática”, organizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Fachin ressaltou que a mera existência de tribunais não garante o acesso à justiça, enfatizando que a dimensão formal das instituições é insuficiente para gerar confiança e legitimidade.

Justiça Itinerante: Mais que Presença Física

O ministro argumentou que o acesso à justiça se concretiza quando a Justiça alcança efetivamente cada indivíduo, especialmente aqueles que historicamente estão distantes dos centros de poder e das estruturas estatais. A Justiça itinerante, segundo Fachin, não deve ser vista como um benefício concedido pelo Estado, mas sim como uma obrigação constitucional de garantir a presença da justiça em todos os lugares.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ele citou a legislação que orienta a Justiça itinerante, buscando deslocar essa prática do âmbito da excepcionalidade para uma política pública estruturante do Judiciário.

Fachin enfatizou que o objetivo é assegurar que ninguém seja privado da justiça devido ao seu local de residência. Ele comparou a prestação jurisdicional a uma estrutura de engenharia, destacando a importância de que o cálculo técnico seja compreensível para quem depende dele. “No século 21, em que novas tecnologias nos colocam perto de Marte, é preciso entender que nossos pés muitas vezes estão atados no começo do século 19”, afirmou, referindo-se às assimetrias sociais que ainda persistem no Brasil.

Leia também

Ações na Ilha do Marajó e a Diversidade Brasileira

Durante o evento, Fachin anunciou que o CNJ planeja uma ação de itinerância na Ilha do Marajó, no Pará, uma região isolada geograficamente e com dificuldades de acesso a serviços públicos. O ministro destacou a importância de considerar a pluralidade do país, incluindo povos originários e as diferentes raízes da formação brasileira.

A Ilha do Marajó foi identificada pelo CNJ como um foco prioritário devido ao seu isolamento e vulnerabilidade social.

Em maio, o programa Justiça Itinerante Cooperativa na Amazônia Legal levará serviços de justiça, cidadania e saúde à região, em parceria com mais de 50 instituições. Fachin concluiu que o Judiciário deve manter contato com a realidade, ressaltando a importância de se conectar com a vida das pessoas, “aquela que coloca as pessoas em contato com as outras”.