Fachin assume relatoria do inquérito das fake news cinco dias após defender encerramento

A mudança desloca a investigação de Alexandre de Moraes para a Presidência do STF em meio à disputa envolvendo André Mendonça e o caso Banco Master.

09/09/2026 19:01

3 min

Ministro Edson Fachin
Ministro Edson Fachin

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Edson Fachin, assumiu nesta quarta – feira (9) a relatoria do chamado inquérito das Fake News, em andamento desde 2019. A investigação, que era conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, passa agora ao comando da Presidência da Corte.

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A mudança ocorre cinco dias depois de Fachin defender publicamente o encerramento do procedimento. Na última sexta – feira (4), o presidente do Supremo afirmou que os acontecimentos recentes reforçavam a “urgência” de pôr fim ao inquérito.

Como Fachin passou a comandar o inquérito

Na última sexta – feira (4), o presidente do Supremo também se posicionou sobre o ministro André Mendonça frente ao inquérito. O que antes representava uma complementação da instrução do caso, sem antecipar o entendimento do ministro, agora passou a indicar uma posição contundente de Fachin.

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Conhecida popularmente como “Inquérito do Fim do Mundo”, a investigação foi aberta por escolha direta da presidência de Dias Toffoli, em março de 2019. A apuração tinha como foco inicial notícias falsas, denunciações caluniosas, ameaças e ataques graves contra a Corte, seus ministros e familiares.

Com o avanço das investigações, influenciadores, políticos e figuras de oposição também foram incluídos no inquérito. O pedido mais recente de inclusão feito por Moraes envolve o próprio colega de Supremo, André Mendonça.

Disputa envolvendo Moraes e André Mendonça

Mendonça autorizou relatórios elaborados pela PF (Polícia Federal). Os documentos reuniam mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, personagem central do caso Banco Master, e indicavam uma proximidade entre o ex – banqueiro e Moraes.

O material citava troca de mensagens, um contrato de R131 milhões entre o escritório da esposa de Moraes e Vorcaro, com revisões feitas pelo próprio magistrado, além de cartões com limite de R 300 mil destinados aos filhos do ministro.

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As mensagens também registravam consultas do banqueiro sobre o andamento da investigação envolvendo o banco. A inclusão de Mendonça no inquérito das Fake News foi interpretada como um contra – ataque de Moraes.

Com base em elementos encaminhados no próprio inquérito, Moraes apontou possíveis crimes de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça à frente das investigações dos casos Master e INSS.

Atos de Moraes serão preservados

Embora tenha retirado a relatoria das mãos de Moraes, Fachin manteve válidos os atos praticados pelo ministro durante o período em que esteve à frente do caso. Segundo o STF, as ações penais ligadas ao inquérito que já tiveram denúncia recebida continuarão seguindo normalmente.

Como mostrou a CNN, a mudança abre uma oportunidade para acelerar o encerramento da investigação. Fachin já vinha conversando nos bastidores sobre essa possibilidade e, agora, a expectativa é que tenha mais facilidade para obter apoio majoritário na Corte.

A intenção é construir uma solução pacificadora para encerrar as investigações, preservando os procedimentos que já avançaram e mantendo o andamento das ações penais que tiveram denúncia recebida.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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