Fabricantes americanos de aviões agrícolas veem Brasil como mercado estratégico em 2026

A crescente demanda por produtividade no agronegócio brasileiro impulsiona fabricantes americanos a investirem em serviços e aeronaves maiores no país.

Herik Richard

Com uma frota que se aproxima de 3 mil aeronaves, o Brasil se torna um mercado estratégico para fabricantes americanos de aviões agrícolas. A demanda é impulsionada pela vastidão das propriedades rurais e a busca por maior produtividade. Empresas como Thrush e Air Tractor enxergam oportunidades de expansão no país, enquanto se adaptam ao surgimento de drones, aeronaves autônomas e novas tecnologias de propulsão.

Jim Cable, CEO da Thrush do Brasil, destaca que a grande produção agrícola brasileira coloca o país como prioridade para a empresa. “O Brasil é o maior produtor agrícola em diversas áreas e, por isso, é um mercado absolutamente importante para praticamente todas as empresas do setor agrícola”, afirmou à CNN Brasil.

A estratégia da Thrush vai além da venda de aeronaves; ela inclui fortalecer a estrutura de serviços e suporte à frota existente.

Expansão e demanda por aeronaves maiores

A presença da Thrush no Brasil já é consolidada, com operações focadas principalmente no Centro – Oeste e nas regiões norte do país, onde as propriedades agrícolas são mais extensas. Cable enfatiza que o investimento em serviços e suporte é fundamental: “A questão é como estamos investindo no país em termos de serviços e de suporte a essa frota”.

Ele também ressaltou que a empresa conta com prestadores de serviços que garantem a manutenção das aeronaves.

A expansão das propriedades agrícolas e o aumento na produtividade têm mudado o perfil da demanda por aeronaves. Segundo Cable, os produtores brasileiros buscam cada vez mais aeronaves maiores, alinhando – se à estratégia da fabricante. “À medida que as propriedades aumentam de tamanho e a produtividade cresce, as aeronaves maiores passam a ser mais procuradas”, explicou.

Entretanto, a concorrência no setor não se limita apenas às aeronaves convencionais. O uso de drones e outras soluções não tripuladas já faz parte das discussões entre os profissionais da área. Apesar dessa transformação tecnológica, Cable acredita que as características da agricultura brasileira ainda favorecem aviões de maior porte: “Devido à extensão e ao tamanho das propriedades agrícolas brasileiras, a produtividade continua sendo absolutamente prioritária”.

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Inovações e desafios no mercado brasileiro

Uma aeronave agrícola convencional da Thrush pode cobrir entre 350 e 400 hectares por hora, uma capacidade que ainda não é alcançada por drones ou outras aeronaves menores. A fabricante acompanha o desenvolvimento dessas tecnologias para integrá – las conforme as necessidades dos clientes evoluam.

A Air Tractor também adota uma postura semelhante em relação à inovação. Scott Pingsterhaus, vice – presidente de Estratégia e Desenvolvimento Corporativo da empresa, declarou que eles monitoram custos e avanços tecnológicos no mercado brasileiro.

Pingo destacou que a Air Tractor está desenvolvendo uma nova aeronave chamada AT-1002, que está em processo de certificação e terá capacidade para 1.000 galões. O modelo será disponibilizado no Brasil assim que a certificação for concluída. Ele também mencionou a importância do mercado brasileiro para a empresa: “Vendemos mais aeronaves para o Brasil do que para qualquer outro país”.

A companhia americana avalia alternativas nos sistemas de propulsão, incluindo biocombustíveis e eletrificação. Em parceria com a Pratt & Whitney, estão estudando como aplicar essas tecnologias nas suas aeronaves: “Queremos esperar até que essas tecnologias estejam totalmente prontas para o mercado”, afirmou Pingsterhaus.

O futuro da aviação agrícola

A discussão sobre o futuro da aviação agrícola abrange mais do que apenas inovações tecnológicas nos aviões. Para Hoana Santos, presidente do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola), drones e aeronaves autônomas devem ser vistos como ferramentas complementares: “A questão aqui não é saber quem vai tomar o espaço de quem, mas sim qual ferramenta é adequada para cada tipo de trabalho”, afirmou à CNN Brasil.

Santos também destacou que a expansão dessas tecnologias requer profissionais qualificados e uma regulamentação apropriada. Sua análise foi feita durante o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil, evento que reúne diversos stakeholders do setor.

Este ano, o congresso contou com mais de 200 expositores abordando temas como reforma tributária, inteligência artificial e segurança na aviação agrícola.

A aviação agrícola desempenha um papel crucial na aplicação em cerca de 100 milhões de hectares por safra no Brasil. Durante o evento, o Sindag apresentou a Agenda 2037, discutindo as diretrizes para os próximos anos do setor em áreas como formação profissional e comunicação com a sociedade.

O congresso também marcou os preparativos para os 80 anos da aviação agrícola no Brasil em 2027, com uma edição especial programada para Orlândia, interior de São Paulo.