Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% no primeiro semestre de 2026, totalizando US 21 bilhões

A queda nas exportações brasileiras para os EUA destaca os desafios impostos pelas altas tarifas.

12/08/2026 06:00

3 min

Exportações; Contêineres
Exportações; Contêineres

As exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram 12,2% no primeiro semestre de 2026, totalizando US 21 bilhões. O dado foi revelado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio no Brasil) e representa uma perda de aproximadamente US 2,9 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Essa queda levou as vendas brasileiras ao mercado norte – americano ao menor nível em três anos.

Os dados fazem parte da nova edição do Monitor do Comércio Brasil– Estados Unidos, que se baseia nas informações de julho do Comexstat. A retração foi mais acentuada nos produtos que enfrentam sobretaxas mais elevadas, que variam entre 25% e 37,5%, com tarifas que chegaram até 50%.

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As exportações desses itens sofreram uma queda considerável de 31,5% no acumulado do ano, passando de US 4,6 bilhões para US 3,2 bilhões.

Impacto das Tarifas e Dinâmica Comercial

A redução nas exportações gerou um impacto significativo no comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, destacou que “os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral”, alertando para os prejuízos potenciais para ambas as economias enquanto o atual cenário tarifário persistir.

Em julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US 3,6 bilhões, registrando uma diminuição de 5% na comparação anual. Esse resultado interrompeu um ciclo positivo anterior, quando as vendas cresceram pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que começaram a ser aplicadas as tarifas mais altas.

Para os produtos afetados pelas maiores sobretaxas, a queda em julho foi ainda maior: 25,7%.

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Por outro lado, as exportações dos produtos alcançados pela Seção 232 apresentaram crescimento de 21,5%, especialmente impulsionadas pelas vendas de aço e alumínio. Entretanto, produtos como portas, fumo e madeira de coníferas enfrentaram quedas expressivas nas vendas acumuladas durante o ano.

Importações e Déficit Comercial

No setor das importações, julho trouxe uma mudança após sete meses consecutivos de retração. As compras brasileiras de produtos norte – americanos aumentaram em 0,6%, alcançando US 4,3 bilhões. Com essa dinâmica desfavorável nas exportações e importações praticamente estáveis, o Brasil registrou um déficit comercial de US 639 milhões com os Estados Unidos somente em julho.

No acumulado do ano até julho, o saldo negativo chegou a US 2,3 bilhões — um aumento alarmante de 122,3% em relação ao mesmo período de 2025. Essa situação destaca a fragilidade das relações comerciais entre os dois países neste momento.

Desempenho Comparativo das Exportações

O desempenho das exportações brasileiras para os Estados Unidos é ainda mais preocupante quando comparado ao total das vendas para outros mercados. Enquanto as exportações para o mercado norte – americano recuaram em 12,2%, as exportações totais do Brasil cresceram 10,5% no mesmo período.

Apesar da queda significativa nos negócios com os EUA, este país continua sendo o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

Entre os dez principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos neste ano, quatro apresentaram queda nas vendas enquanto suas exportações para outros mercados cresceram. O petróleo bruto teve uma redução de 25,5%, semimanufaturados de ferro ou aço caíram 11,1%, o ferro – gusa apresentou queda de 7,9% e a celulose retraiu em 5,3%.

Esses dados refletem a pressão provocada pelas sobretaxas sobre um setor vital da economia brasileira.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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