Exportações de grãos do Brasil para o Irã caem 3% em meio a dificuldades logísticas

As exportações de grãos do Brasil para o Irã enfrentam desafios logísticos devido à guerra. O que isso significa para o futuro das operações comerciais?

11/06/2026 07:56

4 min

Exportações de grãos do Brasil para o Irã caem 3% em meio a dificuldades logísticas
(Imagem de reprodução da internet).

Exportações de Grãos do Brasil para o Irã Sofrem Pequena Queda

No primeiro semestre de 2026, os embarques de soja, milho e farelo de soja do Brasil para o Irã, um importante mercado para essas commodities, apresentaram um ritmo ligeiramente inferior devido às dificuldades logísticas causadas pela guerra. Apesar dos custos mais altos nas operações, as exportações não foram severamente afetadas, conforme dados de agências marítimas, do governo e análises de profissionais do setor.

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Entre janeiro e maio, as exportações dos três produtos para o Irã caíram cerca de 3% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 3,08 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a agência marítima Cargonave.

Os dados indicam que a maior parte do volume, aproximadamente 1,8 milhão de toneladas, foi embarcada após o início do conflito em 28 de fevereiro, entre o Irã e os Estados Unidos e Israel. Além disso, houve uma redução de cerca de 900 mil toneladas nos embarques de milho neste ano, quase compensada pelo aumento nas exportações de farelo de soja até maio.

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Programação de Novos Embarques

Para novos envios ao Irã, com base na programação de navios até 5 de junho, a agência marítima Alphamar prevê duas embarcações para carregar farelo de soja, mantendo-se estável em relação ao ano anterior. Também está programado um navio para soja, em comparação a dois em 2025, e um para milho, situação que se repete em relação ao mesmo período do ano passado.

Arthur da Anunciação Neto, sócio-diretor da Alphamar, comentou que, apesar da desaceleração do mercado de milho, os navios continuam a operar. Ele mencionou que um navio já passou e outro está descarregando no Irã.

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Normalmente, os embarques de milho do Brasil, que têm o Irã como um dos principais clientes, tendem a aumentar no segundo semestre. Neto observou que o “line-up” para milho ainda é pequeno, mas dentro do esperado. Em relação ao farelo, ele destacou que a situação está equilibrada, mas a maior queda foi na soja, que é comprada em momentos de maior estabilidade, enquanto o farelo é mais imediato.

Projeções e Desafios Logísticos

A Anec informou que, embora os volumes de milho para o Irã tenham sido menores em comparação aos 1,9 milhão de toneladas de janeiro a maio do ano passado, isso foi compensado por cargas adicionais de farelo de soja. A associação ressaltou que os embarques de milho no primeiro semestre costumam ser menos significativos do que os do segundo semestre, com a temporada de exportação de milho ainda em seu início.

Os envios tendem a aumentar a partir da segunda quinzena de junho, acompanhando a colheita da segunda safra.

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A Anec manteve sua previsão de embarques de milho do Brasil em 44 milhões de toneladas para 2026, mesmo com o Irã sendo o terceiro maior destino do cereal brasileiro, representando 18% das exportações, atrás do Egito e Vietnã.

Custos e Alternativas Logísticas

Quando questionada sobre possíveis “washouts” — cancelamentos ou recompras de contratos de venda antecipada — para o Irã, a Anec afirmou que não houve relatos. Os descarregamentos continuam nos portos de Imam Khomeini, Bandar Abbas e Chabahar.

A Anec destacou que Imam Khomeini e Bandar Abbas são os principais pontos de entrada para grãos no Irã, embora o acesso marítimo dependa da navegação pelo Estreito de Ormuz. Chabahar, por sua vez, oferece uma alternativa logística importante por estar fora do estreito, com acesso direto ao Golfo de Omã.

Chau Hue, chefe de Pesquisa da corretora Stag International, comentou que, apesar das incertezas logísticas, as vendas de milho para o Irã estão se tornando mais caras para os importadores. Ele explicou que as tradings brasileiras estão vendendo com um prêmio que varia de 50 a 70 centavos de dólar por bushel sobre o valor atual do mercado.

Assim, se o prêmio brasileiro para agosto está em torno de 105 a 110 centavos por bushel, o importador iraniano terá que pagar entre 155 a 180 centavos de “basis” total.

Hue acredita que as condições financeiras e de pagamento serão determinantes para que o Brasil consiga repetir em 2026 as mais de 9 milhões de toneladas exportadas em 2025, quando o Irã foi o principal destino das mais de 40 milhões de toneladas vendidas ao exterior.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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