As exportações brasileiras atingem US$ 348,6 bilhões em 2025, com o agronegócio contribuindo com quase 50%. Descubra como o câmbio impacta esse setor vital!
No ano de 2025, as exportações do Brasil alcançaram a marca de US$ 348,6 bilhões, conforme dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O agronegócio contribuiu com US$ 169,2 bilhões desse total, representando quase 50% das exportações do país, segundo o Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
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O setor, que opera em cadeias produtivas conectadas ao mercado internacional, é especialmente sensível às flutuações cambiais, principalmente à variação do dólar em relação ao real. A relação entre câmbio e agronegócio vai além do impacto direto nas exportações, afetando preços de commodities, custos de produção e decisões financeiras de produtores e empresas.
De acordo com o Centro de Pesquisas em Economia Aplicada (Cepea), uma alta do dólar influencia o produtor agrícola de duas maneiras: aumenta os custos devido ao encarecimento dos insumos importados e eleva a renda bruta, já que a receita das exportações em reais aumenta.
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Geralmente, a elevação da renda supera o aumento dos custos.
Compreender essa dinâmica é fundamental para o desempenho do setor ao longo dos ciclos econômicos e para a tomada de decisões de investimento. A partir de 9 de fevereiro de 2026, a CNN Brasil iniciará a cobertura setorizada do agronegócio brasileiro com o lançamento do CNN Agro, um novo núcleo editorial dedicado ao tema.
Os preços de muitos produtos agrícolas brasileiros, como soja, milho, café, açúcar e suco de laranja, são definidos em bolsas internacionais, como as de Nova York e Chicago, em contratos denominados em dólar. Assim, a moeda americana é o principal referencial para a precificação dessas commodities no comércio global.
Quando o dólar se fortalece em relação a outras moedas, as commodities podem sofrer pressão negativa nas cotações internacionais, pois os compradores estrangeiros precisam gastar mais em suas moedas locais para adquirir o mesmo volume de produtos.
Por outro lado, um dólar mais fraco tende a favorecer a valorização das commodities, tornando as compras mais acessíveis.
No Brasil, a relação entre dólar e agronegócio é ainda mais complexa. Como os produtos exportados são precificados em dólar, a taxa de câmbio impacta diretamente a competitividade do país no comércio internacional. A desvalorização do real em relação ao dólar torna os produtos brasileiros mais baratos para compradores estrangeiros, potencializando as exportações e aumentando a receita em moeda local.
Por outro lado, um real mais forte pode reduzir essa vantagem competitiva, tornando os produtos nacionais relativamente mais caros no exterior. A Associação de Comércio Exterior do Brasil aponta que setores com maior receita atrelada ao dólar, como o agronegócio, podem se beneficiar com a valorização da moeda americana, embora isso dependa de diversos fatores.
A desvalorização do real pode favorecer as exportações, mas também pressiona os custos do agronegócio. Muitos insumos utilizados na produção agrícola são importados ou têm preços atrelados ao dólar, como fertilizantes e máquinas. Quando o dólar sobe, esses insumos se tornam mais caros em termos locais, elevando os custos de produção.
Além disso, muitos produtores e empresas do setor mantêm dívidas ou contratos atrelados ao dólar. A valorização da moeda americana aumenta o valor dessas obrigações em reais, exigindo maior geração de caixa para honrar compromissos financeiros.
A volatilidade cambial representa um desafio significativo para o planejamento financeiro no agronegócio.
A taxa de câmbio também é crucial nas decisões de investimento estrangeiro no agronegócio brasileiro. Um real mais valorizado torna os ativos locais mais caros para investidores internacionais, enquanto um real desvalorizado pode facilitar a entrada em termos de moeda estrangeira.
Esses fatores influenciam aquisições de terras, empresas e investimentos em infraestrutura.
Entretanto, o câmbio é apenas um dos elementos considerados pelos investidores, que também levam em conta a estabilidade regulatória, previsibilidade institucional e as perspectivas de demanda global.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.