Ex-chefe do BC diz ter criado projeto social após sofrer racismo na instituição

Belline Santana prestou depoimento à Polícia Federal no âmbito das investigações do caso Master.

Belline Santana, ex-chefe de supervisão do BC

Em depoimento à Polícia Federal, o ex – chefe de supervisão do Banco Central do Brasil (BC), Belline Santana, afirmou que criou o projeto social“Jovens Potentes” após sofrer episódios de racismo dentro da própria instituição. A declaração foi dada no âmbito das investigações do caso Master, que também tornaram o programa alvo da corporação.

Belline e o projeto ganharam destaque nos documentos divulgados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite da última quinta – feira (10). Nesta sexta (11), o presidente da Corte, Edson Fachin, acolheu um pedido da Procuradoria – Geral da República (PGR) e determinou novas medidas sobre o caso.

Racismo dentro do BC e origem do projeto

Em sua oitiva, Belline descreveu situações de preconceito que enfrentou enquanto ocupava o cargo de chefe de departamento no Banco Central, cargo que deixou em janeiro. “Eu, no lado pessoal, sempre enfrentei questões que a maioria das pessoas que estão no nosso ambiente não enfrenta, que é a questão racial”, disse.

Ele relatou um episódio específico: “Eu já tive situação de chegar na reunião, a pessoa perguntar se eu era o motorista da minha equipe.” Segundo o ex – funcionário, o assunto já era conhecido por colegas, e ele costumava brincar que era “uma anomalia do sistema”.

Foi nesse contexto, afirmou, que teve a ideia de criar o “Jovens Potentes”, com o objetivo de capacitar jovens de periferia para o mercado digital.

Relação com Vorcaro e o contato com Palhares

Durante o depoimento, Belline disse que não conhecia Leonardo Augusto Furtado Palhares, responsável pela consultoria jurídica do projeto. Ele alegou ter sido procurado por Palhares entre agosto e setembro de 2023, por telefone. Na ocasião, Palhares teria mencionado que Daniel Vorcaro, ex – banqueiro, foi uma das pessoas que indicou seu nome para o projeto.

O nome de Belline aparece nos documentos do caso Master em meio a uma quantia de R 3,8 milhões que ele teria recebido. Um relatório da PF mostra que a relação entre Belline e Vorcaro remonta a outubro de 2023, quando o então funcionário do BC entrou em contato com o ex – banqueiro.

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Defesa nega irregularidades

Em nota, a defesa de Belline afirmou que “a repercussão parcial” dos elementos do caso Master desvia o foco de relações e responsabilidades de “níveis superiores, em diversas instâncias”. Os advogados classificaram a exposição midiática dos relatórios como “seletivas e fragmentadas”.

Sobre as acusações de recebimento de valores, a defesa cita o depoimento de Leonardo Giunchetti, que falou à PF como testemunha. Segundo a nota, ele “esclareceu que tal fato jamais ocorreu, muito menos por indicação ou pagamento do Sr. Daniel Vorcaro”.

O texto ainda afirma que o ex – banqueiro confirmou não ter havido qualquer vantagem para Belline em razão de sua atuação no BC.

“A defesa reitera, portanto, que o Sr. Belline Santana sempre exerceu suas funções dentro dos estritos limites de suas atribuições”, conclui o comunicado, que pede que a análise integral dos elementos seja feita com objetividade e sem conclusões baseadas em recortes descontextualizados.