EUA indicam até R 3,8 bi para refino de terras raras com minério do Brasil

A proposta ainda depende de análise, crédito e aprovação do Exim Bank, enquanto a Aclara planeja processar o minério do Projeto Carina na Louisiana.

69bc238227ca748906ee662c_Aclara Separation Pilot Plant Inauguration – Eduardo Hochschild, Aclara Chairman

O governo dos Estados Unidos indicou que pode financiar em até US750 milhões, cerca de R 3,8 bilhões, uma nova cadeia de processamento de terras raras da Aclara Resources. A mineradora desenvolve no Brasil o Projeto Carina, em Goiás, e pretende construir nos Estados Unidos uma planta para separar esses minerais e produzir metais e ligas.

A possibilidade foi divulgada pela empresa nesta sexta – feira (4). O financiamento seria destinado ao Projeto Dynamo, planejado para o estado da Louisiana. A unidade receberia material extraído e beneficiado na América do Sul e produziria insumos usados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs permanentes.

Financiamento depende de aprovação

A indicação partiu do Export – Import Bank dos Estados Unidos (Exim Bank), mas ainda não representa um compromisso definitivo. O documento enviado à Aclara Resources é uma carta de interesse, que aponta a possibilidade de financiar até US 750 milhões dos custos do Projeto Dynamo.

De acordo com a companhia, o empréstimo poderia ter prazo de pagamento de até 15 anos. A operação seria estruturada por meio da iniciativa Make More in America, programa utilizado pelo Exim para apoiar investimentos industriais e cadeias produtivas dentro dos Estados Unidos.

O recurso, porém, depende de uma série de etapas. O projeto ainda passará por análise, due diligence, avaliação de crédito, aprovação interna e preparação da documentação. A Aclara ressalta que não há garantia de que o financiamento será aprovado ou concluído.

Mineração na América do Sul e processamento nos EUA

A estratégia da Aclara Resources prevê o envio, aos Estados Unidos, de um carbonato misto de terras raras de alta pureza produzido a partir dos depósitos sul – americanos. Na planta da Louisiana, esse material será separado em óxidos individuais.

O principal ativo mineral da companhia é atualmente o Projeto Carina, em Goiás. A empresa também desenvolve o projeto Penco, no Chile. Os dois empreendimentos, segundo a Aclara, fazem parte do plano de fornecimento de terras raras pesadas para uma cadeia integrada.

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O projeto da Louisiana deverá produzir materiais como neodímio – praseodímio (NdPr), disprósio, térbio, samário, gadolínio e ítrio. A unidade também prevê a fabricação de metais e ligas, etapa adicional para a produção de ímãs permanentes de alto desempenho.

Esses materiais são usados em veículos elétricos, robótica, geração de energia e outras tecnologias avançadas. A companhia testa sua tecnologia de separação em uma instalação da Virginia Tech, nos Estados Unidos, enquanto desenvolve no Chile a conversão dos óxidos em metais e ligas.

Projeto pode iniciar construção até fim de 2026

A engenharia básica da planta comercial da Louisiana e as principais etapas de licenciamento estão em fase final. A expectativa da Aclara Resources é deixar o empreendimento pronto para iniciar a construção até o fim de 2026.

Na prática, a empresa pretende integrar toda a cadeia: a produção mineral e o processamento inicial ocorreriam na América do Sul, enquanto a separação dos óxidos e a fabricação de metais e ligas seriam feitas nos Estados Unidos. O foco declarado é atender principalmente a indústria de ímãs permanentes e setores considerados estratégicos pelos EUA.