EUA escoltam 40 navios com 18 milhões de barris em Ormuz enquanto atacam o Irã

Empresas de energia ainda avaliam riscos na travessia, enquanto os EUA mantêm ataques a alvos militares e preveem um conflito prolongado na região.

O Comando Central dos EUA divulgou imagens que, segundo afirmam, mostram ataques a sites de radar de vigilância costeira do Irã, com uma legenda informando que interceptaram múltiplos mísseis balísticos iranianos e drones lançados em direção ao Estreito de Ormuz e ao Golfo

Militares dos EUA escoltaram 40 embarcações comerciais que transportavam 18 milhões de barris de petróleo pelo Estreito de Ormuz na terça – feira (1º), enquanto Irã e EUA trocavam uma nova rodada de ataques. A operação foi considerada um recorde em tempos de guerra, segundo dois funcionários americanos familiarizados com as ações e ouvidos pela CNN.

Durante a travessia, as forças americanas combinaram recursos aéreos, navais e espaciais para proteger os navios, repelir ondas de ataques de drones e atingir estruturas usadas pelo Irã para ameaçar a navegação comercial. Também foram neutralizados mísseis de cruzeiro antinavio, acrescentou o primeiro funcionário.

Operação atingiu alvos militares ao redor do estreito

Ao mesmo tempo em que conduziam os navios, os EUA atacaram cerca de 60 alvos militares próximos ao Estreito de Ormuz. A lista incluía instalações de defesa aérea, sistemas de radar, ativos marítimos, capacidades de lançamento de minas e instalações de comunicações.

A estratégia americana passou a priorizar a região do estreito e as operações de escolta. A medida faz parte de uma “pressão total” do governo Trump para ampliar a pressão econômica sobre a liderança do regime, de acordo com os funcionários.

Antes do início da guerra, há pouco mais de seis meses, cerca de 20 milhões de barris por dia passavam pelo estreito. O bloqueio dos EUA, porém, impediu o Irã de exportar qualquer petróleo desde julho, disse o segundo oficial americano.

As forças militares dos EUA esperam manter ataques ofensivos nas proximidades da passagem marítima. O segundo oficial afirmou que o Irã demonstrou capacidade de reconstituir suas estruturas, o que exige ações persistentes para reduzir a ameaça aos navios comerciais.

Empresas ainda veem riscos na travessia

Apesar do sucesso da operação de terça – feira, os funcionários americanos não preveem uma solução rápida para o conflito. Empresas de energia continuam cautelosas com os riscos de enviar embarcações pelo Estreito de Ormuz, mesmo sob escolta militar, enquanto os preços de energia permanecem altos e provocam turbulência no mercado global de títulos.

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O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à CNBC que as exportações haviam superado 17 milhões de barris por dia na segunda – feira, um recorde de tempo de guerra. “Isso não é controle iraniano do estreito”, afirmou.

Na quarta – feira (2), Donald Trump declarou que os ataques americanos haviam atingido mais do que os radares iranianos. “Eles estavam tentando ver os navios”, disse ele no Salão Oval. “Eles não conseguem ver porque não têm radar, porque nós o destruímos, e destruímos muito mais do que o radar deles ontem à noite.”

Autoridades do governo Trump afirmam que o volume de petróleo transportado pela rota pode ser maior do que o divulgado, porque os navios desligam seus transponders para evitar detecção. Segundo o primeiro funcionário, a maioria, senão todos os 40 navios que cruzaram o estreito na terça – feira adotou essa prática.

O setor marítimo, contudo, questiona as declarações de “controle total”. Armadores decidem caso a caso se farão a travessia, enquanto o custo do fretamento de um petroleiro passou de 500.000 por dia em algumas estimativas. O seguro das embarcações também continua elevado, e relatos de ataques iranianos seguem afastando empresas.

Corredor deverá ser ampliado no próximo mês

O transporte de gás natural liquefeito enfrenta cautela ainda maior. De acordo com o primeiro oficial, as consequências poderiam ser catastróficas caso um navio com esse tipo de carga fosse atingido por um drone, mina ou míssil iraniano.

Os EUA pretendem realizar escoltas consistentes e ampliar, no próximo mês, o corredor pelo Estreito de Ormuz. A expectativa é permitir que os navios manobrem com mais liberdade e elevar gradualmente o volume de petróleo transportado pela via.

A CNN identificou as embarcações que entraram e saíram do estreito na terça – feira. Eram navios com bandeiras de diversos países estrangeiros, entre eles Arábia Saudita e França.

No começo do conflito, uma operação semelhante, chamada Projeto Liberdade, foi encerrada rapidamente depois que o anúncio surpreendeu aliados do Golfo, especialmente a Arábia Saudita. Meses depois, com os rebeldes Houthis lançando ataques contra a Arábia Saudita, há mais apoio regional às escoltas, segundo o primeiro funcionário familiarizado com a operação.