EUA designam Comando Vermelho e PCC como “Terroristas Globais Especialmente Designados”

Estados Unidos designam Comando Vermelho e PCC como “Terroristas Globais”. Descubra as implicações dessa decisão histórica e a origem dessas facções.

(Imagem de reprodução da internet).

Classificação de Grupos Criminosos pelos EUA

Na quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital) foram designados como “Terroristas Globais Especialmente Designados”. O comunicado também informa que esses grupos criminosos serão considerados Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.

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O Comando Vermelho, a maior facção criminosa do Rio de Janeiro, existe há 54 anos e foi criado com a intenção de combater a tortura e os maus-tratos enfrentados por detentos nas penitenciárias.

Por sua vez, o PCC é a maior facção de São Paulo e do Brasil, com presença em pelo menos 28 países, conforme um relatório do Ministério Público de São Paulo. O grupo foi fundado em 31 de agosto de 1993, na Casa de Custódia de Taubaté, conhecida como “Piranhão”, em São Paulo.

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Origem do Comando Vermelho

A facção Comando Vermelho surgiu dentro do Instituto Penal Cândido Mendes, localizado em Ilha Grande, onde conviviam presos comuns e políticos durante a Ditadura Militar. Essa convivência é considerada um dos fatores que levaram à organização e ao surgimento do CV.

Inicialmente chamado de “Falange Vermelha”, o Comando Vermelho foi fundado por William da Silva Lima, conhecido como “Professor”. Ele passou mais de 30 anos preso, tendo sido condenado a quase 100 anos por crimes como assaltos a banco, extorsão e sequestro.

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Dentro do presídio, “Professor” atuava como representante dos detentos e era responsável por se comunicar oficialmente com as autoridades. Lima é autor do livro “400×1: Uma história do Comando Vermelho”, onde relata a origem da facção e suas atividades criminosas.

Condições e Expansão do Comando Vermelho

Segundo Lima, as condições precárias no Instituto Penal Cândido Mendes, também conhecido como “Caldeirão do Inferno”, levaram os presos a se organizarem para mudar sua realidade. Em 1979, com a libertação dos presos políticos, os membros da “Falange Vermelha” começaram a se estruturar de novas maneiras.

As fugas de presídios e o tráfico de cocaína tornaram-se os principais focos de atuação do grupo.

No ano seguinte, mais de 100 fugas ocorreram, impactando o setor bancário, já que muitos dos detentos eram assaltantes. Entre 1983 e 1986, o CV começou a expandir sua influência fora das prisões, dominando pontos de venda de drogas no Rio de Janeiro.

Em 1985, a facção controlava 70% do mercado de tráfico, o que deu início a guerras territoriais.

Características e Atuação Atual do Comando Vermelho

Atualmente, o Comando Vermelho é a maior facção do Rio de Janeiro e a segunda do Brasil, apresentando características que lembram organizações mafiosas, devido ao controle sobre a cadeia produtiva de diversas atividades ilegais. O tráfico de drogas continua sendo uma das principais fontes de renda do grupo, que também diversificou suas fontes de armamento, utilizando tanto armas importadas quanto fabricadas no Brasil.

Entre os principais líderes da facção estão Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP (preso), Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar (preso), e Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”, que está foragido.

História do Primeiro Comando da Capital

A expansão do PCC no sistema carcerário começou em 1994, na Casa de Custódia de Taubaté. A influência da facção se tornou evidente no ano seguinte, após o massacre do Carandiru em 1992, quando 111 detentos foram mortos durante uma ação da Polícia Militar.

O grupo foi criado por presos que buscavam união e melhores condições no sistema penitenciário.

Nos primeiros anos, o PCC atuava principalmente dentro das prisões de São Paulo, organizando rebeliões e impondo regras. Com o tempo, a facção começou a expandir suas atividades para fora das cadeias, envolvendo-se em crimes como tráfico de drogas, roubos e lavagem de dinheiro.

A notoriedade do PCC aumentou em 2001, quando coordenou uma série de rebeliões em presídios paulistas.

Crises e Expansão do PCC

Em 2006, o PCC ganhou destaque ao realizar ataques contra policiais, ônibus e prédios públicos, marcando uma das maiores crises de segurança pública em São Paulo. Atualmente, o PCC é considerado a maior facção criminosa do Brasil, com atuação em diversos estados e conexões com rotas internacionais de tráfico de drogas, especialmente na América do Sul, como Paraguai e Bolívia.

Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, é a principal liderança histórica do PCC, preso desde os anos 1990 e atualmente em um presídio federal. Mesmo encarcerado, ele continua sendo uma figura central na organização, segundo as autoridades.

Investigações do Ministério Público e das polícias revelam que o PCC também está envolvido em lavagem de dinheiro por meio de empresas e outros negócios que movimentam recursos ilícitos.