EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação comercial
EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, afetando o comércio bilateral e gerando tensões nas relações econômicas entre os países.
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta – feira (15) a implementação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A decisão foi divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), liderado pelo embaixador Jamieson Greer, e ocorre após uma investigação comercial que durou cerca de um ano, sob determinação do presidente Donald Trump.
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A sanção se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite a Washington retaliar práticas comerciais consideradas “injustas”, “irracionais” ou “discriminatórias”. O USTR argumenta que essas práticas prejudicam o comércio dos Estados Unidos e afetam diretamente os interesses de agricultores, trabalhadores e inovadores americanos.
Motivações para a imposição da tarifa
Em seu comunicado, Greer afirmou que proteger os interesses econômicos dos EUA contra práticas comerciais desleais é fundamental para a política “América em Primeiro Lugar” do presidente Trump. O embaixador também mencionou o impacto negativo da punição a empresas de tecnologia que não censuram discursos políticos e destacou um suposto retrocesso no combate à corrupção e à exploração ilegal de terras no Brasil.
“As práticas comerciais desleais do Brasil impediram trabalhadores e produtores americanos de acessar esse importante mercado, com mais de 210 milhões de consumidores”, declarou Greer. Ele acrescentou que Washington está aberto a continuar negociações para solucionar os problemas levantados, que incluem questões relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos Pix, decisões judiciais sobre plataformas digitais e políticas ambientais.
Impacto da tarifa sobre produtos brasileiros
A nova tarifa não incidirá sobre todos os produtos exportados pelo Brasil. Uma lista com mais de 1,6 mil “códigos tarifários” foi estabelecida como exceção, abrangendo itens como café, carne bovina, suco de laranja, castanha, minério de ferro, petróleo, fármacos e peças para aeronaves civis — esta última sendo crucial para a Embraer, terceira maior fabricante de jatos civis do mundo.
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Itens já sujeitos às tarifas da Seção 232, como aço e alumínio, também foram poupados.
O governo brasileiro vê essa lista como crucial para avaliar o impacto econômico real da medida americana e calibrar sua resposta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já vinha se preparando para essa possibilidade e classificou a sobretaxa como “injusta e sem fundamento”.
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Na véspera do anúncio oficial das tarifas, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Itamaraty e da Presidência realizaram uma reunião com Greer — o quinto encontro desse tipo durante as negociações.
Resposta do governo brasileiro
O governo brasileiro manifestou sua insatisfação com a decisão americana. Em nota oficial, afirmou que “a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta” e não contribui para um acordo bilateral adequado. Além disso, as razões apresentadas na Seção 301 não justificariam as tarifas impostas pelos EUA.
Como resposta à medida adotada por Washington, o Planalto considera duas frentes: contestar a decisão buscando ampliar as exceções para produtos estratégicos e acionar a Lei da Reciprocidade Econômica — sancionada em abril de 2025 — permitindo ao Executivo impor tarifas sobre importações americanas e suspender concessões comerciais.
Nesta quarta – feira, Lula se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Planalto para discutir estratégias em relação à nova tarifa imposta pelos Estados Unidos.