Estudo revela riscos de antidepressivos na gravidez para TDAH e autismo em crianças

Estudo revela preocupações sobre o uso de antidepressivos por pais durante a gravidez e sua ligação com TDAH e autismo. Descubra os detalhes impactantes!

16/05/2026 10:26

5 min

Estudo revela riscos de antidepressivos na gravidez para TDAH e autismo em crianças
(Imagem de reprodução da internet).

Preocupações sobre Antidepressivos e Desenvolvimento Fetal

Nos últimos anos, aumentaram as inquietações acerca dos possíveis danos que os antidepressivos podem causar a fetos em desenvolvimento, especialmente em relação a transtornos do neurodesenvolvimento. Um novo estudo, realizado por um grupo de pesquisadores, apresenta as evidências mais robustas até agora sobre o uso de antidepressivos por ambos os pais antes e durante a gravidez e sua associação com o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) nos filhos.

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A pesquisa revelou que, para a maioria dos antidepressivos, a exposição durante esses períodos está, de fato, relacionada a um aumento do risco de TDAH e autismo, mesmo após considerar outros fatores que podem influenciar esses resultados. A análise foi baseada em uma revisão e metanálise de 37 estudos anteriores, envolvendo mais de 600.000 mulheres grávidas que usaram antidepressivos e quase 25 milhões de gestações sem o uso desses medicamentos.

Resultados do Estudo

Os autores do estudo observaram que o uso de antidepressivos pela mãe durante a gestação estava associado a um risco 35% maior de TDAH e a um aumento de 69% no risco de autismo sem deficiência intelectual. Por outro lado, o uso por parte do pai foi relacionado a um risco 46% maior de TDAH e um aumento de 28% no risco de autismo.

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Contudo, ao ajustar os resultados para fatores de confusão, a maioria dessas associações se mostrou significativamente enfraquecida ou até mesmo desapareceu, reduzindo o risco de autismo para cerca de 15%.

O Dr. Wing Chung Chang, coautor sênior do estudo e professor clínico de psiquiatria da University of Hong Kong, destacou que esses achados sugerem que as taxas elevadas de TDAH e autismo observadas em grupos expostos são amplamente impulsionadas pela vulnerabilidade subjacente das mães e famílias.

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Discussão sobre Antidepressivos

Os antidepressivos são considerados o principal tratamento medicamentoso para o transtorno depressivo, que afeta mais de 10% das mulheres grávidas em todo o mundo. A discussão sobre os riscos potenciais tem se concentrado especialmente nos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), a classe de antidepressivos mais prescrita.

O Dr. Chang mencionou que as preocupações foram intensificadas após um painel de especialistas da FDA em julho de 2025, que abordou a possibilidade de aumentar os alertas sobre o uso de ISRSs na gravidez, destacando riscos como autismo, aborto espontâneo e defeitos congênitos.

Organizações médicas criticaram as declarações feitas durante o evento da FDA, considerando-as alarmantemente desequilibradas e negligentes em relação aos danos causados pelos transtornos de humor perinatais não tratados. Estudos anteriores apresentaram evidências inconsistentes e foram limitados por amostras pequenas e medições inadequadas de fatores de confusão.

Orientações para Pais e Clínicos

Especialistas reconhecem que o impacto potencial de medicamentos psiquiátricos em crianças é uma preocupação tanto para pais quanto para clínicos. O Dr. Jonathan Alpert, do Montefiore Medical Center, ressaltou que a gravidez é um período de preocupação acentuada com a saúde da mãe e do bebê.

As diretrizes clínicas atuais geralmente apoiam a continuidade do tratamento com antidepressivos durante a gravidez, quando necessário, e os resultados do estudo não fornecem evidências sólidas de que a exposição pré-natal a esses medicamentos cause transtornos do neurodesenvolvimento.

Quando surgem preocupações, é fundamental que pacientes e clínicos realizem discussões aprofundadas, considerando os riscos potenciais da continuidade do medicamento em comparação com os riscos significativos da depressão materna não tratada.

Além disso, a saúde mental da mãe pode impactar o desenvolvimento da criança, aumentando o risco de prematuridade, baixo peso ao nascer e dificuldades cognitivas e emocionais.

Considerações sobre a Descontinuação de Antidepressivos

Se a decisão for interromper o uso de antidepressivos, isso deve ser feito gradualmente e com monitoramento clínico rigoroso. A síndrome de descontinuação pode ser especialmente angustiante em combinação com sintomas comuns da gravidez, como náuseas e fadiga.

O Dr. Alpert enfatizou a importância de buscar tratamento para promover a saúde de ambos, mãe e filho.

Tratamentos não farmacêuticos, como terapias diversas, podem ser eficazes, dependendo da gravidade da depressão. Os pesquisadores também destacaram que a saúde mental dos pais pode ser um fator importante, ainda pouco estudado, no risco neurodesenvolvimental da prole.

Segurança dos Antidepressivos

Na nova pesquisa, que envolveu pais com idade média de aproximadamente 28 anos, o uso de antidepressivos não foi amplamente associado ao aumento dos riscos de transtornos motores, de fala e linguagem, ou deficiências intelectuais. Os riscos ligeiramente aumentados para TDAH e autismo não pareceram depender da dosagem do antidepressivo, embora a maioria dos estudos não tenha fornecido informações detalhadas sobre isso.

Os resultados sugerem que, com um conjunto crescente de evidências rigorosas sobre o uso de antidepressivos durante a gravidez, há uma garantia significativa sobre a segurança dos antidepressivos contemporâneos. No entanto, os antidepressivos tricíclicos, mais antigos, como a amitriptilina e a nortriptilina, ainda apresentam riscos associados ao TDAH, e a relação causal entre esses medicamentos e os transtornos permanece incerta.

Os profissionais de saúde perinatal e outras fontes confiáveis, como o American College of Obstetricians and Gynecologists e a American Academy of Pediatrics, são recursos importantes para gestantes que buscam orientação sobre o uso de medicamentos durante a gravidez.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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