Estudo revela que mais de 150 carteiras na Polymarket podem ter usado informações privilegiadas
O estudo destaca preocupações sobre a integridade do mercado de previsões, especialmente após a acusação de um soldado americano por uso de dados sigilosos.
Um estudo divulgado nesta quinta – feira (20) aponta que mais de 150 carteiras na Polymarket International podem ter realizado negociações com base em informações privilegiadas das forças armadas dos Estados Unidos. Essa situação levantou preocupações sobre a possibilidade de o mercado transmitir sinais que poderiam ser explorados por adversários estrangeiros.
A pesquisa foi realizada pelo grupo sem fins lucrativos ACDC (Anti – Corruption Data Collective) e noticiada pela agência Reuters.
A análise traz à tona questões sobre o uso de informações privilegiadas no mercado de previsões, especialmente em um momento em que as autoridades estão intensificando a fiscalização desse setor em rápida expansão. Recentemente, um soldado americano foi acusado de usar dados sigilosos para apostar na deposição do ditador venezuelano Nicolás Maduro, algo que legisladores afirmaram poder comprometer a segurança nacional.
Controles e monitoramento da Polymarket
A Polymarket, que foi fundada em 2020, não se manifestou sobre os pedidos de comentário a respeito do estudo. A plataforma afirma ter controles rigorosos para monitorar atividades suspeitas e já reportou dezenas de carteiras às autoridades, incluindo casos relacionados à aposta na deposição de Maduro.
O funcionamento da Polymarket é baseado em blockchain, o que torna as transações públicas, mas mantém os negociadores anônimos.
O ACDC analisou todos os mercados liquidados até o dia 5 de maio para identificar apostas consideradas de “baixa probabilidade”, ou seja, aquelas com apostas cumulativas de pelo menos US 2.500 (aproximadamente R 12.900) feitas em uma hora ou menos em resultados com probabilidade inferior a 35%.
Dentre essas apostas, foram identificadas 556 carteiras apelidadas de “Orcas”, uma referência ao estilo preciso e seletivo das orcas na caça.
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Esses negociadores frequentemente abriam contas e realizavam apostas bem – sucedidas em mercados específicos onde poderiam ter acesso a informações internas. De acordo com o relatório, 152 dessas carteiras obtiveram ganhos excepcionais em mercados militares e de defesa, acumulando US 8 milhões (cerca de R 41 milhões) com uma taxa média de acerto impressionante de 97,2%.
Contudo, o ACDC observa que as características das “Orcas” podem ter explicações alternativas, como pura sorte.
Implicações das apostas imitações
Embora lucrar com informações governamentais confidenciais seja ilegal, a pesquisa revela que as apostas feitas pelas “Orcas” parecem atrair imitadores. Esses imitadores incluem “Baleias” (investidores grandes) e robôs automatizados que copiam suas apostas.
Mesmo sendo legal essa prática de imitação, há evidências sugerindo que ela pode amplificar os sinais originados pelas “Orcas”.
Por exemplo, quando uma Orca apostou antes dos ataques ocorridos em junho de 2025, robôs e Baleias realizaram apostas imitando esses valores, totalizando US200 mil e US 100 mil (cerca de R 1,519 milhão e R 519 mil). Além disso, outras apostas semelhantes também desencadearam ondas inéditas nas apostas feitas por robôs e Baleias antes dos ataques aéreos conjuntos dos EUA e Israel contra Teerã em fevereiro.
David Szakonyi, cofundador da ACDC, ressaltou que a visibilidade das atividades incomuns na Polymarket é subestimada por muitos. Ele afirmou: “Tudo está disponível na internet; podemos observar sinais claros indicando que grandes operadores e robôs estão copiando possíveis negociações baseadas em informações privilegiadas”.
Segundo ele, seria ingênuo acreditar que agências estrangeiras não estão atentas a esses mercados.
Recomendações do ACDC
A Polymarket argumenta que seu registro público permite um controle mais rigoroso das atividades. Entretanto, um porta – voz da CFTC (Commodity Futures Trading Commission), agência responsável pela supervisão desses mercados, não comentou as conclusões da pesquisa.
O órgão já apresentou acusações relacionadas à conduta ilícita nesse setor em pelo menos três casos até agora.
Composto por acadêmicos e investigadores especializados em finanças ilícitas, o ACDC defende reformas anticorrupção rigorosas. O grupo sugere que todos os operadores sejam obrigados a comprovar suas identidades e recomenda retenção dos pagamentos até a conclusão das investigações.
Para mitigar os riscos relacionados ao uso indevido de informações privilegiadas, eles argumentam ainda pela proibição das operações onde esse tipo de informação possa ser rentável e explorável.