Estudo revela que humanos e macacos compartilham risadas com ritmo semelhante há 15 milhões de anos
A pesquisa da Universidade de Warwick sugere que a evolução do riso entre humanos e macacos pode ter influenciado o desenvolvimento da fala.
Um estudo recente revelou que macacos e humanos compartilham risadas com um ritmo semelhante há pelo menos 15 milhões de anos. A pesquisa, intitulada “O ritmo e a sincronização do riso revelam que a plasticidade vocal humana se situa num contínuo hominídeo”, foi publicada na quinta – feira (25) na revista Communications Biology e indica que o riso humano se tornou mais rápido e variável ao longo do tempo.
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Importância da Pesquisa
Os cientistas envolvidos no estudo são Chiara De Gregorio, Marina Davila Ross e Adriano R Lameira, todos da Universidade de Warwick, em Coventry, Reino Unido. Até o momento, não estava claro como o ritmo do riso evoluiu entre os primatas. Os pesquisadores acreditam que essa evolução pode ter sido um fator decisivo para o desenvolvimento da fala humana.
Ainda segundo a pesquisa, embora diferentes ramos da família dos hominídeos tenham criado repertórios vocais distintos, o riso se manteve como uma vocalização conservada, independente de idade ou gênero. As variações na temporização e na flexibilidade do riso podem refletir mudanças evolutivas no controle vocal entre as espécies.
Grupo Avaliado e Metodologia
Para realizar a análise, foram observadas sequências de risos de cinco táxons de grandes primatas: quatro orangotangos (Pongo pygmaeus), gorilas (Gorilla gorilla), três bonobos (Pan paniscus), quatro chimpanzés (Pan troglodytes) e quatro humanos (Homo sapiens), com idades variando entre seis meses e sete anos.
Ao todo, os cientistas examinaram 140 sequências de risos, medindo os intervalos entre cada emissão sonora.
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A pesquisa constatou que o riso dos grandes primatas é isócrono, apresentando intervalos regulares entre as explosões vocais. Esses resultados ampliam evidências anteriores sobre a isocronia nas vocalizações dos orangotangos para incluir outros grandes primatas.
Resultados e Implicações
As análises mostraram que o ritmo do riso nos primatas acelerou ao longo do tempo, sendo modelado pela distância filogenética entre as espécies. No caso dos humanos, uma temporização variável é percebida como mais positiva social e emocionalmente do que uma temporização rígida.
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Isso sugere que a variabilidade no ritmo do riso pode transmitir informações relevantes sobre estados emocionais e intenções sociais.
Além disso, os humanos demonstram uma capacidade de alterar a velocidade do riso conforme a situação; por exemplo, eles riem mais rapidamente quando recebem cócegas em comparação com momentos de brincadeira. Essa flexibilidade no ritmo é maior nos primatas mais próximos dos humanos.
Os resultados indicam que a evolução dos grandes símios e humanos levou ao aumento gradual da flexibilidade no controle dos sons vocais, contribuindo possivelmente para o surgimento da fala e da linguagem.
A pesquisa traz novas perspectivas sobre as raízes evolutivas da comunicação humana através do estudo das vocalizações em primatas.