Estudo revela que dores menstruais e pélvicas estão invisíveis no SUS, surpreendendo especialistas!

Estudo revela que dores menstruais e pélvicas estão invisíveis no SUS, com registros alarmantemente baixos. Descubra os dados surpreendentes da pesquisa!

20/05/2026 21:26

4 min

Estudo revela que dores menstruais e pélvicas estão invisíveis no SUS, surpreendendo especialistas!
(Imagem de reprodução da internet).

Estudo Revela Invisibilidade das Dores Menstruais e Pélvicas no SUS

Uma pesquisa analisou dados de mais de 469 mil meninas e mulheres brasileiras para investigar como as dores menstruais e pélvicas são registradas nos prontuários do SUS (Sistema Único de Saúde). Os resultados mostram que muitas informações permanecem “escondidas” em campos abertos dos prontuários, não sendo oficialmente registradas nos sistemas tradicionais de classificação.

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O estudo, realizado pela Vital Strategies Brasil em colaboração com o Laboratório FrameNet Brasil da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e financiado pelo Instituto Alana, examinou dados do e-SUS, internações hospitalares e do Sinan (notificações de violência) de pacientes entre 10 e 49 anos atendidas na rede pública de saúde em Recife, entre 2016 e 2025.

Ao focar apenas nos CIDs (Códigos Internacionais de Doenças), os casos de dores pélvicas e menstruais representaram apenas 0,5% das mulheres. Contudo, ao aplicar uma metodologia que utilizou IA (Inteligência Artificial) para identificar registros ocultos em prontuários, que consegue interpretar textos elaborados por profissionais de saúde, esse número aumentou para 41 mil casos (9%), cerca de 21 vezes mais do que o registrado oficialmente.

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Essa análise revela um preocupante descompasso entre os relatos das pacientes e o foco do atendimento.

Descompasso nos Registros e Atendimento

Menções a condições como endometriose e adenomiose geralmente aparecem nos campos subjetivos dos prontuários, onde são registradas as queixas relatadas. Em contrapartida, nos campos “Objetivo”, que orientam a conduta clínica, essas condições são mencionadas 2,3 vezes menos.

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A qualidade das informações registradas também é insatisfatória: em menos de 5% dos casos, constam detalhes como intensidade da dor, frequência e duração dos sintomas, informações essenciais para a compreensão do quadro clínico.

Além disso, as pacientes que já relataram dores semelhantes anteriormente buscam atendimento em serviços de saúde, em média, cinco vezes mais do que aquelas que não têm registros de dores pélvicas e menstruais. Esses dados indicam um cenário de invisibilidade em relação aos relatos de mulheres e meninas, que podem conviver com essas condições sem o devido reconhecimento.

As queixas raramente resultam em encaminhamentos para tratamento imediato, dificultando o acesso ao cuidado adequado.

Formação de Profissionais e Acolhimento

O médico Omero Poli Netto, coordenador de pesquisa em dor pélvica e endometriose, ressalta que os cursos de saúde ainda ensinam os profissionais a buscar lesões periféricas que justifiquem a dor. Quando não encontram, as queixas são frequentemente desvalorizadas, às vezes rotuladas como “sem fundamento”.

Ele enfatiza que a presença da dor não é normal e deve ser considerada na conduta médica: “A dor é uma doença em si mesma”.

Uma linha de cuidado específica pode ser uma das medidas educativas para orientar as pacientes sobre sintomas associados à vida menstrual e facilitar a busca por atendimento em casos mais graves. No entanto, essa informação deve ser acompanhada por um acolhimento adequado por parte dos profissionais de saúde, que nem sempre tratam a dor como uma condição a ser investigada, conforme afirma Sofia Reinach, gerente de saúde e líder da iniciativa de endometriose, dor pélvica e saúde menstrual do Alana.

Associação entre Dores e Violência

Outro aspecto importante é a associação entre dores menstruais e pélvicas e a violência interpessoal. Ao cruzar dados sobre dor com históricos de violência, foi identificado que mulheres que sentem dor têm 43% mais chances de ter registros associados à violência em comparação com aquelas que não sentem dor.

Omero destaca que a identificação dessa associação depende do vínculo entre o profissional de saúde e a paciente. Perguntas sensíveis, mas diretas, são frequentemente mais eficazes do que abordagens indiretas.

A coexistência entre dor e violência prejudica a qualidade dos registros, mesmo entre pacientes que já têm esse histórico. Apesar de essas mulheres buscarem serviços de saúde com muito mais frequência — cerca de 35 vezes mais —, suas queixas muitas vezes são “perdidas” em uma escuta que não está preparada para lidar com a complexidade do caso.

Omero afirma que reconhecer esse padrão é o primeiro passo para quebrá-lo, ressaltando que o que não é contado não se torna política pública, e o que não se torna política pública continua sendo resolvido em silêncio, mês após mês.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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