Estudo revela como a fome transforma humor e gera irritabilidade: entenda o fenômeno “hangry”

Estudo revela como a fome provoca irritabilidade, o fenômeno “hangry”. Descubra a relação entre consciência corporal e emoções em novas pesquisas!

02/05/2026 12:36

4 min

Estudo revela como a fome transforma humor e gera irritabilidade: entenda o fenômeno “hangry”
(Imagem de reprodução da internet).

A ciência explica a irritabilidade causada pela fome

A pesquisa avança na compreensão de um comportamento comum: a irritabilidade que surge quando estamos com o estômago vazio. Conhecido em inglês como “hangry“, uma junção das palavras “hungry” (faminto) e “angry” (bravo), esse fenômeno é mais complexo do que aparenta.

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Um estudo publicado em fevereiro de 2026 na revista The Lancet eBioMedicine revela que essa resposta biológica está ligada à consciência de que se está com fome.

A pesquisa buscou entender se as variações de humor são causadas diretamente pelos níveis de glicose ou pela percepção subjetiva desse estado. Os resultados indicam que a glicose influencia as emoções de maneira indireta, com o sentimento de fome atuando como mediador.

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Assim, sem a percepção da fome, a queda da glicemia tem pouco impacto sobre o humor. O neurocientista Nils Kroemer, autor correspondente do artigo, explica que, em adultos, o estado de “hangry” é melhor compreendido pela percepção consciente da fome, o que ajuda a entender as crises de irritabilidade em crianças pequenas.

Importância da consciência corporal

O estudo introduz um conceito fundamental para a saúde mental: a “interocepção“, que é a capacidade do sistema nervoso de perceber e interpretar sinais internos do corpo. A pesquisa demonstrou que indivíduos com maior precisão interoceptiva, ou seja, que “escutam” melhor seu corpo, apresentam menor oscilação emocional.

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Essa consciência corporal funciona como um mecanismo de controle e proteção. Kroemer afirma que, ao entender que uma piora no humor é causada pela fome, é possível simplesmente comer algo para melhorar o estado emocional.

O risco surge quando há desconexão: se a pessoa não identifica a origem do desconforto, o cérebro pode atribuir o mal-estar a causas externas, resultando em conflitos interpessoais ou angústia sem explicação. O médico nutrólogo Diogo Toledo ressalta que a fome não é apenas um número na glicemia, mas uma experiência construída pelo cérebro a partir de diversos sinais simultâneos.

Dicas para melhorar a percepção da fome

Algumas atitudes podem ajudar a “escutar” melhor o próprio corpo, como diferenciar os tipos de fome. A fome física surge gradualmente e aceita qualquer alimento, enquanto a fome emocional aparece repentinamente e geralmente exige algo específico, como doces ou salgadinhos.

Ferramentas como um diário alimentar, onde o paciente registra seu estado emocional antes de comer e o nível de fome em uma escala de zero a dez, podem ser úteis. Práticas de atenção plena durante as refeições, como comer sem distrações e mastigar devagar, também ajudam a melhorar a interpretação dos sinais metabólicos.

A pesquisa ainda observou que indivíduos com índice de massa corporal (IMC) mais elevado, ou seja, aqueles com sobrepeso ou obesidade, tendem a ter uma precisão interoceptiva reduzida. Muitas vezes, essas pessoas não conseguem identificar se estão com fome, comendo apenas porque é hora ou porque a comida está disponível.

Essa desconexão tem uma base biológica, já que o excesso de gordura visceral gera um estado inflamatório que interfere nos circuitos cerebrais que regulam o apetite.

Relação entre metabolismo e humor

A associação entre estado metabólico e humor é mais forte entre as mulheres, possivelmente devido às variações hormonais ao longo do ciclo menstrual. Essas flutuações afetam diretamente a sensibilidade à insulina e o apetite, o que implica que o planejamento alimentar para mulheres em idade fértil deve considerar o ciclo menstrual como um fator importante para garantir a estabilidade emocional.

Para evitar que a vontade de comer se transforme em irritabilidade ou episódios de compulsão, é essencial manter a estabilidade glicêmica. Algumas estratégias incluem evitar consumir carboidratos isolados, sempre combinando-os com proteínas, fibras e gorduras saudáveis.

Por exemplo, em vez de comer apenas um pão com manteiga, é recomendável adicionar ovos ou uma fonte de proteína vegetal.

  • Inclua fontes proteicas, como ovos, carnes, leguminosas e laticínios naturais, que são os macronutrientes mais saciantes.
  • Preste atenção aos “sinais difusos” do corpo, identificando a fome antes que o estômago ronque.
  • Aposte em alimentos ricos em fibras e gorduras saudáveis, como aveia, chia, abacate e azeite, que ajudam a retardar a absorção de açúcar e prolongam a saciedade.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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