Estudo revela alarmante aumento de mortes por tumores abdominais no Brasil

Estudo revela que tumores abdominais causam 70 mil mortes anuais no Brasil. Descubra quais tipos são mais letais e a importância do diagnóstico precoce

Levantamento aponta alta mortalidade por tumores abdominais no Brasil

Um estudo revelou que seis tipos de tumores abdominais são responsáveis por cerca de 70 mil mortes anuais no Brasil. Esses dados indicam um aumento contínuo na mortalidade decorrente dessas doenças, que frequentemente apresentam sintomas iniciais discretos.

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O levantamento foi realizado pelo cirurgião oncologista Felipe José Fernández Coimbra, que ocupa o cargo de secretário-geral da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica (WSSO), além de ser Diretor Internacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e Head do Instituto Integra Saúde, utilizando informações de 2025 do Ministério da Saúde.

Entre os seis tipos de tumores identificados, o câncer colorretal se destaca como o mais letal, com 23.539 óbitos registrados no último ano. Em seguida, estão os cânceres de pâncreas, com 14.571 mortes, e de estômago, com 14.363 óbitos. As altas taxas de mortalidade são frequentemente atribuídas ao diagnóstico tardio, uma vez que os sintomas iniciais costumam ser vagos, como perda de peso, fraqueza e dor abdominal difusa.

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Importância do diagnóstico precoce

“Estamos tratando de tumores em que a cirurgia, quando viável, continua sendo a principal oportunidade de cura, mas isso só é possível quando o diagnóstico é feito precocemente”, afirmou Coimbra. Ele destacou que, no caso do câncer de pâncreas, a identificação da doença em estágios iniciais pode aumentar a sobrevida em mais de três vezes em comparação aos estágios avançados.

Essa lógica se aplica também a outros tumores do sistema digestivo.

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Coimbra ainda ressaltou que o desafio reside na falta de critérios bem definidos para a maioria desses tumores, o que demanda um maior nível de suspeição clínica e uma melhor organização do sistema de saúde para diminuir o intervalo entre os primeiros sinais e o diagnóstico.

Taxa de mortalidade alarmante

Um dado relevante sobre o câncer de pâncreas é que, embora represente apenas 1% dos diagnósticos de câncer no Brasil, ele é responsável por 5% das mortes. Aproximadamente 80% dos pacientes são diagnosticados em estágios avançados ou com metástase, quando os tumores já se espalharam para outros órgãos.

Além dos cânceres colorretal, pâncreas e estômago, os cânceres de fígado, esôfago e peritônio também contribuem para as mortes anuais no Brasil e no mundo.

Esses dados ressaltam a importância de se atentar a fatores de risco, como alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo e infecções crônicas, além do envelhecimento da população.

Comparação global

Conforme a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde (IARC/OMS), o câncer colorretal causou mais de 904 mil mortes em todo o mundo em 2022. O câncer de fígado foi responsável por cerca de 758 mil óbitos, enquanto o câncer de estômago causou aproximadamente 660 mil mortes.

O câncer de pâncreas registrou cerca de 467 mil mortes, e o de esôfago, aproximadamente 445 mil, mantendo-se entre os tumores mais letais globalmente.

Projeções para o futuro

O Instituto Nacional de Câncer estima que, entre 2026 e 2028, cerca de 59,5 mil novos casos anuais de quatro tipos de cânceres abdominais sejam diagnosticados no Brasil. Os órgãos mais afetados devem incluir estômago, pâncreas, esôfago e fígado.