Estudo da University College London revela danos do castigo físico na educação infantil

O estudo da University College London revela os efeitos nocivos do castigo físico na infância, ligando-o a comportamentos agressivos e baixo desempenho

(Imagem de reprodução da internet).

Estudo aponta que castigo físico prejudica educação infantil

Pesquisadores da University College London revelaram que o castigo físico não traz benefícios na educação de crianças e pode levar a comportamentos agressivos e prejuízos acadêmicos. A pesquisa, realizada no Reino Unido, indicou que crianças entre três e sete anos apresentaram 40% mais chances de se envolver em comportamentos de risco aos 14 anos.

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Os resultados mostraram que adolescentes que sofreram punição física nessa faixa etária tinham 33% mais probabilidade de exibir comportamentos de risco, como 35% mais propensos a agredir alguém, 41% a relatar bullying entre irmãos e 26% a se envolver em cyberbullying.

No que diz respeito ao desempenho escolar, essas crianças tiveram quase 6% mais chances de não alcançar as cinco notas mais altas no exame de conclusão do ensino médio do Reino Unido em inglês e matemática.

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Direitos das crianças e legislação

De acordo com Anja Heilmann, autora principal do estudo, os resultados reforçam a ideia de que castigos físicos são prejudiciais ao desenvolvimento e bem-estar infantil. “As crianças têm o direito de serem criadas livres de todas as formas de violência.

Nossos filhos não podem receber a mensagem de que podemos impor nossa vontade aos outros infligindo dor física”, destacou Heilmann.

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Ela defende que a agressão contra crianças, incluindo as chamadas punições físicas, deve ser considerada ilegal na Inglaterra e na Irlanda do Norte, onde atualmente não há essa proibição. Na Escócia, País de Gales e Irlanda, essa prática já é proibida. “Mudar a lei na Inglaterra e na Irlanda do Norte sinalizaria que a violência nunca é aceitável”, afirmou.

Contexto no Brasil

Em 2021, uma em cada cinco crianças de 10 anos no Reino Unido havia sofrido algum tipo de punição física. No Brasil, atos de violência e castigos físicos contra crianças são proibidos. Duas leis garantem a proteção dos menores: a Lei Menino Bernardo, sancionada em 2014, que assegura o direito de crianças e adolescentes a serem educados sem tratamento cruel, e a Lei Henry Borel, de 2022, que estabelece medidas protetivas para vítimas de violência doméstica e considera crime hediondo o assassinato de menores de 14 anos.

O Brasil também criou o Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990, um dos principais instrumentos que garantem os direitos desse grupo no país.

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Metodologia da pesquisa

Os pesquisadores analisaram a frequência da punição física no Reino Unido e sua relação com os resultados comportamentais, cognitivos e educacionais das crianças. Para isso, utilizaram dados do estudo longitudinal Millennium Cohort, que acompanhou cerca de 19 mil crianças nascidas entre 2000 e 2002.

As informações foram coletadas em intervalos regulares, desde os nove meses até os 17 anos dos participantes, cruzando as punições físicas com as características familiares.

Além disso, o estudo correlacionou os dados do Millennium Cohort Study com o Banco de Dados Nacional de Alunos da Inglaterra para avaliar o impacto das punições no desempenho acadêmico na adolescência.