Dezenas de milhares de estudantes incendeiam prédio do MEC na Albânia
O protesto, o mais violento contra o premiê Edi Rama, ocorre após um verão de manifestações pacíficas e contesta um resort de luxo apoiado por Jared Kushner.
Dezenas de milhares de estudantes saíram às ruas de Tirana, capital da Albânia, na quarta-feira (14) em um protesto que rapidamente escalou para a violência. O alvo principal era o prédio do Ministério da Educação, que foi incendiado, assim como duas agências bancárias, em meio a confrontos diretos com a polícia.
A revolta foi motivada pelo aumento dos custos da educação e pela corrupção, mas a reação das autoridades foi imediata. A polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo para tentar conter a multidão, enquanto os manifestantes atiravam pedras, viraram lixeiras e danificaram fachadas de comércios locais.
Imagens da Reuters mostram que uma agência do Raiffeisen Bank, nas proximidades do Ministério, também foi tomada pelas chamas.
Maior protesto contra Edi Rama
O ato é considerado a manifestação mais violenta contra o primeiro-ministro Edi Rama desde que ele conquistou o quarto mandato, em maio do ano passado. Desde então, o descontentamento popular só cresceu, principalmente por causa da corrupção percebida em torno de altos funcionários do governo.
Os estudantes deixaram claro que também rejeitam figuras da oposição, considerando-as alternativas inaceitáveis.
A agitação desta quarta-feira coroa um verão inteiro de protestos pacíficos contra Rama. O estopim inicial foi a proposta de construção de um resort de luxo na costa sul do país, apoiada por Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
O projeto, que envolve uma área de preservação, acabou parando nos tribunais.
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“Isso é uma revolução”, diz estudante
“Isso é uma revolução. Estamos cansados de protestos pacíficos. Não vamos parar até que Rama renuncie”, disse Lora, uma estudante que preferiu não revelar o sobrenome, enquanto arremessava pedras contra a polícia. Outros manifestantes gritavam “Renúncia” e “Polícia do crime”.
Os organizadores do movimento estudantil afirmaram que o protesto era contra as condições precárias nas universidades, os altos custos do ensino superior, a falta de apoio financeiro e as poucas perspectivas de emprego após a formatura. A insatisfação, no entanto, não se restringe ao ensino superior.
Estudantes do ensino médio vêm realizando greves e bloqueios em escolas há semanas, exigindo mais professores e melhores instalações, argumentando que a deterioração dos prédios e as salas superlotadas prejudicam a educação.